sexta-feira, 2 de abril de 2010

A Desfolhada da Hermínia Silva



Hermínia Silva nasceu em 1907, cinco anos depois de Ercília Costa, a primeira fadista que saiu das fronteiras de Portugal. Cedo se tornou presença notada nos retiros de Lisboa, que não hesitaram em contratá-la, pela originalidade com que cantava o Fado. A Canção dos Bairros de Lisboa estava-lhe nas veias, não fôra ela nascida, ali mesmo junto ao Castelo de São Jorge. As "histórias" dos amores da Severa com o Conde de Vimioso estavam ainda frescas na memória do povo.
Para além de fadista foi também actriz e teve uma casa de fados no Bairro Alto denominada "O Solar da Hermínia".

Nesta versão da "Desfolhada Portuguesa" popularizada pela Simone de Oliveira, apenas a música de Nuno Nazareth Fernandes permaneceu, dando os versos de Ary dos Santos lugar aos de Eduardo Damas.
Esta "Desfolhada da Hermínia" critica o facto da canção interpretada pela Simone ter sido uma das mais belas de sempre e ser tão mal classificada na Eurovisão de 1969, no Teatro Real de Madrid.
Hermínia critica o fraco gosto das canções vencedoras e as "politiquíces" que ainda hoje envolvem o Festival assim como os portugueses.
Hermínia Silva alcançou um estatuto perante a ditadura que a permitia dizer quase tudo, pois a ignorância no Estado Novo era uma das virtudes.

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