sexta-feira, 16 de maio de 2008

Há Dias Difíceis

Foi numa noite de vento e de chuva, que eu cheguei a casa e, como quase sempre, descalcei-me e fui em direcção ao quarto. Despi a raiva, a crueldade, a antipatia e a indiferênca que tinha vestido nesse mesmo dia de manhã.
Voltei a ser eu: o rapaz bem-disposto que conhece inúmeras pessoas e que tem alguns amigos. Sim, alguns. Como perguntou uma vez a Catarina, "quantas pessoas te ajudavam se precisasses? Os teus amigos, apenas eles!", tudo o resto são conhecidos.
Mas não escrevo isto porque estou chateado com alguém... Alguém ja não me chateia. Escrevo isto porque ando cansado: cansado de andar de um lado para o outro, cansado d'algumas pessoas, cansado de estar cansado.
Não tenho tempo nem pra pentear os cabelos de paciência que tenho! Nem tão pouco alguns brancos que já me aparecem com apenas duas décadas de vida...

Há pessoas que me dão paz de alma por serem tão pacíficas... "Gostava de ter um feitio daqueles!", disse uma vez quando vi o presidente da junta da minha cidade no meio de contratempos comuns a quem é autarca. Mas eu sou muito directo, sempre fui, pois nas minhas veias corre sangue quente (e jovem), e quando não gosto dalguma coisa digo logo, assim como sempre que tenho uma ideia sobre algo ou alguém, salta-me boca fora, como uma tainha na baía...
Vivi pouco, pois tenho ainda muito que viver e aprender. Aprendo como são as pessoas. De dia para dia vou aprendendo e apreendendo conhecidos que outrora nem dava atenção e hoje são importantes, assim como vou pondo para trás das costas pessoas que já me foram importantes e que agora só fazem erros e criam desunião entre amigos.

Não gosto de escrever, como também não gosto de marisco, mas aprendi a gostar e, hoje só consigo desabafar assim.
Aprendi com os meus amigos, pois esses nunca hei-de pôr para trás das costas. Eles sabem-no.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Adeus (Palavras Gastas)

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Já não temos nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.


Poema de: Eugénio de Andrade,
Canta: Simone de Oliveira

terça-feira, 15 de abril de 2008

Calor

E ele nunca mais chega!
Ora vem, ora vai tal como o sol de inverno que teima em não nos deixar e, enquanto o São Pedro não se decide em enviar-nos o calor de Abril, vamo-nos contentando com dias chuvosos, outros de ventos que trazem à estrada a calma Baía do Seixal e outros soalheiros que até sugerem uma roupa mais arejada...
É assim, as estações são para riscar definitivamente do nosso calendário e dar lugar a dias frios e dias quentes que ter-se-á que sufixar os respectivos aumentativos com o avancar da história.
Onde está o "Abril, águas-mil"? Talvez tenha ido ter com o "Março marçagão, manhãs de inverno e tardes de verão"!
Está tudo muito estranho... e não só as estações!
Na Dona Maria II anda por lá o inverno, embora não tão rigoroso como o anterior e na Nuno Álvares Pereira fixou-se o verão, embora ultimamente esteja a puxar o outono... enfim!
Só ao fim de semana tem feito bom tempo, apesar de o ter passado (e muito bem) em casa do Ricardo a escrever música. Às vezes penso que até posso ser feliz onde menos espero... mas isso não tem a ver com a casa do Ricardo, mas com o resultado da nossa música!
Hoje parece que nada faz sentido, pois tudo o que digo não bate certo.
Este texto era para ser sobre o 25 de Abril de 1974, mas a Margarida Calqueiro pensa que sabe tudo sobre mim, e enganou-se! Fica para a próxima semana.
Últimamente tenho andado muito feliz com os meus amigos: apetece-me fazer uma qualquer maluquice com o Ricardo, passar uma tarde a rir com a Poupinha, passar uma noite a conversar com a Calqueiro (e a cuscar!), fazer miminhos à Matilde e apertar o pescosso às manas Perdigão!
Mas enquanto isso não vai acontecendo, vão mas é aproveitar o calor de Abril que dura pouco.
E pronto, quem sabe, sabe e o Barradas é que sabe!
Sejam todos muito felizes que eu também o serei certamente!

sábado, 29 de março de 2008

Interrogação Sem Resposta

Porque é que existem guerras? Porquê? Não servem de nada, só para separar famílias, pessoas e países.
Em Portugal, durante o Estado Novo, este criou uma guerra que, tal como as outras, não têm justificação pela existência. Esta guerra que tanta gente levou com ela, durou décadas, sendo conhecida por Guerra do Ultramar ou Guerra Colonial.

Portugal vivia mal, pedia água e pão em filas sem fim à vista, não tinha vias de comunicação, não tinha qualquer tipo de desenvolvimento, a não ser o movimento fascista que o Salazar impunha. Também nesse tempo, o país tinha os cofres cheios (como disse um amigo meu)! - É verdade! Mas para que nos servem os cofres cheios se o país está na maior das penúrias? Para quê? Os únicos que viviam menos mal eram os emigrantes nas colónias portuguesas em África, que após o 25 de Abril de 1974, tiveram que largar tudo e retornarem a Portugal, sendo que só a partir deste momento é que se aperceberam da miséria que existia por cá.

A música que melhor retrata a desnecessária Guerra do Ultramar, é a "Interrogação Sem Resposta" de Paco Bandeira e Sidónio Muralha, que foi escrita já na primavera marcelista, em 1971.



E todas as tardes e todas as manhãs
E todas as noites os homens morriam,
Choravam as mães, as mulheres, as irmãs,
Choravam os olhos que já os não viam.

E em todos os campos e em todos os mares,
E em todas as ruas e em todos os portos,
Nas cadeiras vazias de todos os lares
Perguntam os mortos porque foram mortos.

A que sol murcharam as promessas largas?
A neblina esconde a terra prometida.
Quem marcou a cinza tantas horas amargas,
Imenso quadrante do relógio da vida.

Palavras moldadas no barro do engano,
Promessas de tudo trocadas em nada.
Frases apagadas como apaga o oceano
Os passos dum homem na areia molhada.

Em todos os campos e em todos os mares,
E em todas as ruas e em todos os portos,
Nas cadeiras vazias de todos os lares
Perguntam os mortos porque foram mortos.

E nós que sabemos a verdade e a sentimos
Para lá das falas, das razões, dos motivos,
Provemos aos mortos que não os traímos,
Devolvendo aos vivos a terra dos vivos,
Devolvendo aos vivos a terra dos vivos!


Valsa das Papoilas

É a mais recente reentrada de cartaz do Animateatro chama-se "Valsa das Papoilas - Sequela" e é uma comédia hilariante!

Foi incluída nas comemorações do Dia Mundial do Teatro, nos antigos refeitórios da Fábrica Mundet com sala cheia.
Vi-a na Mundet com o Ricardo, a Catarina e a Marisa e, como gostei, repeti no Animateatro com o Canelas e o Ricardo.

Podemos ver todos os sábados, até 19 de Abril no espaço Animateatro.

Ficha Técnica
Concepção geral: Ricardo G. Santos, Lina Ramos e Alexandra Varela
Elenco: Alexandre Gregório, Patrícia Cairrão e Pedro Ribeiro
Adaptação: Ricardo G. Santos
Produção: Lina Ramos
Imagem Gráfica: Luis Mileu
Músicas: Ricardo G. Santos

As comemorações prosseguem no Animateatro e na Sociedade Filarmónica União Seixalense, entre outros, até Abril.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O Amigo Que Eu Canto


Cantada por Simone de Oliveira no final do espectáculo comemorativo dos 50 anos de carreira no Coliseu dos Recreios, denominado "Num País Chamado Simone", esta canção foi a última que os seus autores fizeram juntos, sendo escrita para o espectáculo Sopa de Pedra em 1980.
A letra é do poeta José Carlos Ary dos Santos e a música de Fernando Tordo.


Desde quando nasci
Que o conheço e lhe quero
Como a um irmão meu
Como ao pai que perdi,
Como tudo o que espero.

É um homem que tem o condão da doçura
No sorriso de água, nos olhos cansados,
É metade alegria, é metade ternura
Nas palavras cantadas, nos gestos dançados,
Nos silêncios magoados.

Tem um rosto moreno
Que o inverno o marcou
E apesar de ser forte,
É um homem pequeno
Mas maior do que eu sou.

Tem defeitos, é certo. Como todos nós.
Sonha, às vezes demais,
Fala, às vezes no ar
Mas quando dentro dele a alma ganha a voz
É tal como se fosse o som do nosso mar,
Se pudesse falar...

REFRÃO
Foi capaz de mentir,
Foi capaz de calar
É capaz de chorar e de rir,
Tem um quê de fadista,
Tem um quê de gaivota,
E a mania que há-de ser artista.
Quando vê que precisa
É capaz de roubar,
Mas também sabe dar a camisa.
Foi capaz de sofrer,
Foi capaz de lutar,
È capaz de ganhar
E perder.

É um amigo meu que às vezes me ofende
Mas que eu sei que me escuta,
Que eu sei que me ouve
E também compreende.
Quantas vezes lhe digo que tenha juízo,
Que a mania dos copos só lhe faz é mal,
Que a preguiça não paga e que o trabalho é preciso.
Ele encolhe-me os ombros num despreso total,
Este tipo é assim, mas...

REFRÃO
Foi capaz de mentir,
Foi capaz de calar
É capaz de chorar e de rir,
Tem um quê de fadista,
Tem um quê de gaivota,
E a mania que há-de ser artista.
Quando vê que precisa
É capaz de roubar,
Mas também sabe dar a camisa.
Qual o nome final
Deste amigo que eu canto?
Pois é claro que é
Portugal.



sábado, 15 de março de 2008

Recordações

Começei a aprender música em Novembro de 1999 com a Cláudia Cunha e, ao fim de seis meses, passei para Trompete, tendo como monitor o Marco Rosa.
Corria o ano de 2000 e o I Encontro de Bandas de Música do Seixal era a "menina dos olhos" da União Seixalense. A primeira vez que saí para a rua com a banda foi precisamente neste encontro de bandas, onde desfilámos pelas ruas da cidade juntamente com a Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 de Alcochete e a Banda da Arrentela.
Estava radiante com a farda que vestia e, apesar de estar o tempo chuvoso, adorei usar o boné da farda.
Por ironia do destino, hoje também faço parte da Banda de Alcochete, dirigida pelo António Menino.
As marchas que a União tocou nesse dia foram: "Vinho do Porto"e"José Macedo" de Ilídio Costa e "El Barbaña" de Emílio Cebrian Ruíz. Em concerto tocou "La Gazza Ladra", "Guilherme Tell", "Ares de Espanha", entre outras de que não me recordo.
Hoje sinto saudades da banda desses tempos, do espírito de equipa, da família e de algumas caras que desapareceram do corpo de banda, matendo-se algumas na colectividade. Posso sempre recordar aqueles que faziam parte da banda quando entrei e que hoje já não o fazem: Dulce Cunha, Sofia Oliveira, Artemisa Silva, Vânia Alagoa, Maria João Moutela, Patrícia Silva, Daniel Trindade, Rui Constâncio, Sérgio Charrua, Cláudia Cunha, André Marques, Diogo Foles, Riso, Carlos Lopes, Hugo e Nuno Gaito, Fernando e António Rodrigues e o saudoso porta-estandarte José Rosa Antunes (o Zé Faji).
Aqui recordo o primeiro dia que fui músico, porque o que é bom, é para ser lembrado!
Na imagem: Eu e a Dulce na Travessa dos Lusíadas, Seixal.

terça-feira, 11 de março de 2008

Hoje


Hoje foi um bom dia para matar saudades do sol de inverno que tinha desaparecido nos últimos dias... hoje foi um dia como outro qualquer!
Hoje ficaria horas, ou mesmo o dia todo junto dos meus grandes amigos a falar, a rir ou somente a olhar para eles... Eles que têm a vida ocupada, como todos nós.
Hoje nem fui ao centro do Seixal, tomar café com a Dulce e com a Maria Manuela, assim como não fui à União, uma União que muitas vezes parece desunida, desaparecida e desencaixada do mundo que a rodeia... São fases da vida de uma colectividade que, tal como a nossa vida, também tem altos e baixos e, que apesar de já estar em fase crescente, ainda tem muito que pedalar.
Hoje, a Catarina não me respondeu à mensagem que lhe enviei e a Joana disse que eu chamava-me Mário Cunha...
Hoje soube que a Margarida estava melhor das dores de cabeça.
Hoje apareci nas imagens da novela "Fascínios", no Jardim do Seixal.
Hoje faço três anos que tirei a carta e ainda continuo com medo de certas curvas que faço na minha vida porque, se hoje passei o dia com um ar cinzento, também foi hoje que o terminei a conversar com o meu melhor amigo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Desfolhada Portuguesa

Cantada por Simone de Oliveira, a Desfolhada Portuguesa venceu o Festival RTP da Canção de 1969, apresentado por Lurdes Norberto.
A música é da autoria de Nuno da Nazareth Fernandes com orquestração de Ferrer Trindade e a letra de José Carlos Ary dos Santos.

Desfolhada Portuguesa

Corpo de linho, lábios de mosto
Meu corpo lindo, meu fogo posto
Eira de milho, luar de Agosto
Quem faz um filho fá-lo por gosto

É milho-rei, milho vermelho
Cravo de carne, bago de amor
Filho de um rei que sendo velho
Volta a nascer quando há calor

Minha palavra dita à luz do sol nascente
Meu madrigal de madrugada
Amor, amor, amor, amor, amor presente
Em cada espiga desfolhada

Lalalala lalalala lala lalala...
Lala lala lalalala...
Lalalala lalalala lala lalala...
Lalalala lala lala...

Minha raiz de pinho verde
Meu céu azul tocando a serra
Ó, minha mágoa e minha sede
Ao mar, ao sul da minha terra

É trigo loiro, é além Tejo
O meu país neste momento
O sol, o queima, o vento, o beija
Seara louca em movimento

Minha palavra dita à luz do sol nascente
Meu madrigal de madrugada
Amor, amor, amor, amor, amor presente
Em cada espiga desfolhada

Lalalala lalalala lala lalala...
Lala lalala lalalala...
Lalalala lalalala lala lalala...
Lalalala lala lala...

Olhos de amêndoa, cisterna escura
Onde se alpendra a desventura
Moira escondida, moira encantada
Lenda perdida, lenda encontrada

Ó, minha terra, minha aventura
Casca de noz desamparada
Ó, minha terra, minha lonjura
Por mim perdida, por mim achada

Lalai lala lalai lala lalala lai la...
Lala lalai la lalai lala...
Lalai lala lalai lala lalala lai la...
Lalalalai... lai lai lai lai...

Desfolhada Portuguesa (Inglês)
Portuguese Husking

Body of linen, lips of must
My lovely body, my burning fire
Threshing-floor, August moonlight
Who conceives a child, does it for pleasure

It's red maize, red coloured maize
Flesh wart, grain of love
Son of a king that, being old
Grows back when times are warm

My word spoken at the rising sun's light
My dawning madrigal
Love, love, love, love, present love
In every husked corncob

Lalalala lalalala lala lalala...
Lala lala lalalala...
Lalalala lalalala lala lalala...
Lalalala lala lala...

My green pine root
My blue sky touching the ridge
Oh, my sorrow and my thirstiness
To the sea, south of my homeland

It's blond maize, it's beyond Tagus
My country at this moment
The sun burns it, the wind kisses it
Extatic corn-field in motion

My word spoken at the rising sun's light
My dawning madrigal
Love, love, love, love, present love
In every husked corncob

Lalalala lalalala lala lalala...
Lala lalala lalalala...
Lalalala lalalala lala lalala...
Lalalala lala lala...

Almond eyes, obscure well
Where my misfortune is protected
Hidden moor, enchanted moor
Forfeited legend, found legend

Oh, my homeland, my adventure
Helpless nutshell
Oh, my homeland, my remoteness
By myself lost, by myself found

Lalai lala lalai lala lalala lai la...
Lala lalai la lalai lala...
Lalai lala lalai lala lalala lai la...
Lalalalai... lai lai lai lai...

Desfolhada Portuguesa (Castelhano)
Deshojada


Cuerpo de junco, labios de grana, cuerpo que quema como la llama
Una elegida ha crecido, nacer un hijo, amor cumplido
Trabajo miel, grano maduro, blanco clavel, hoja de amor
Hijo de un rey que siendo viejo vuelva a nacer con mi calor

En mi palbra que a la luz del sol naciente, es madrigal de madrugada
Amor, amor, amor, amor, amor presente en cada espiga deshojada

(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la... la la la la...)
(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la la la la...)

¡Ay!, mi raíz de pino verde, mi cielo azul junto a mi sierra
¡Ay! pena mía, mi seda ardiente, ¡ay!, mar azul, mar de mi tierra
Espiga rubia junto al Tajo, en mi país - feliz momento
El sol lo peina, lo mece el viento, es trigo loco en movimento

En mi palbra que a la luz de sol naciente, es madrigal de madrugada
Amor, amor, amor, amor, amor presente en cada espiga deshojada

(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la... la la la la...)
(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la la la la...)

Ojos de almendra, caverna oscura donde se esconde la desventura
Mora escondida, mora encantada, por mí perdida, por mí encontrada
Y por la tierra de tu amada, barco de miel desamparada
Y por la tierra, tierra adorada, por mí perdida, por mí encontrada

La la la la la la la la la la la la la...
La la la la la... la la la la...
La la la la la la la la la la la la la...
La la la la la la la la...

Desfolhada Portuguesa (Francês)
Terre Guitare


Cœur de lumière, levres de soif, un cœur de fièvre, un feu de joie
À la nuit où tu encoules le champ pour mettre en route un tas d'enfants
Vers le maïs l'amour est blanc, dans mon pays l'amour est rouge
Fruits des amants et des moissons de nos deux corps quand le sang brûle

Mon bel amour, mon tendre amour, soleil et sang, tendres paroles dites au matin
Amour, amour, amour, amour, amour présent, terre guitare, voix de raisin

(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la... la la la la...)
(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la la la la...)

La mer au sud de mon pays saigne de sang des découvertes
Oh... ma douleur et mon soucis, aux heures de joie jamais ouvertes
C'est du blé chaud, du blé du Tage, mon beau pays, rose des vents
C'est l'heure d'orages, l'heure des poètes, oh... mon passé et mon présent

Mon bel amour, mon tendre amour, soleil et sang, tendres paroles dites au matin
Amour, amour, amour, amour, amour présent, terre guitare, voix de raisin

(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la... la la la la...)
(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la la la la...)

Terre guitare aux yeux d'amande où le malheur est presque tendre
Terre assoiffée, terre brûlante, emprisonnée dans sa légende
Oh mon pays, mon madrigal, mon horizon de femmes brunes
Oh mon pays, mon Portugal, oh... ma splendeur au clair de lune

La la la lay la la la lay la lay la la la...
La lay la lay... la lay la lay...
La lay la la la lay la la la lay la lay la...
La lay la la la lay lay lay...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Simone de Oliveira

Admiro muito a Simone de Oliveira. Sendo a minha música preferida, a "Desfolhada Portuguesa" transmite uma força intemporal, que se mantem viva até hoje.

Um temperamento marcado, inequivocamente, pelo excesso de talento, de vontade e de querer. Excesso de expressão e de paixão. Dela poderá dizer-se o que de muito poucos se disse: é uma daquelas pessoas maiores do que a vida.

Iniciando bastante nova uma carreira de cantora, fatalmente marcada pelo Centro de Formação dos Artistas da Rádio de Motta Pereira, Simone vai revelar, ainda rapariga, uma intensidade interpretativa que imediatamente a distinguiu das restantes vozes femininas da época.

O seu repertório de cançonetista não fugirá, nesses primeiros anos de carreira, aos estereótipos criativos dos compositores consagrados da época. Desses tempos iniciais guardam-se vivas memórias de prémios e consagrações sucessivos, e de uma mediática rivalidade (tão real quanto encenada) com Madalena Iglésias.

Mas Simone, a inquieta Simone, quererá sempre mais da sua arte. Por sua iniciativa (e pela iniciativa dos que nela viram a intérprete de excepção) vai procurar cada vez melhores compositores e letristas.

Aproximou-se, assim, dos grandes nomes que despontavam, numa clara linha de oposição ao Regime. Com Desfolhada, de José Carlos Ary dos Santos e Nuno da Nazareth Fernandes, Simone fará história: história da música popular urbana, é claro. Mas, também, a história das mentalidades.

Como nos arquétipos clássicos, o excesso conduziu à tragédia. Simone fica sem voz. Mas, tal como a Fénix, renascerá com uma voz nova, mais profunda. Com ela vai partir à conquista de públicos renovados e ganhará desafios só ao alcance dos eleitos .
Marcos principais da carreira:

1957 - Entra no Centro de Preparação de Artistas da Rádio.

1958 - Primeiros espectáculos. Participa no I Festival da Canção Portuguesa, em Lisboa. Vencerá esta competição nos dois anos seguintes.
1962 - Estreia no teatro de revista. Vence o Festival da Canção da Figueira da Foz.

1965 - Vence o Grande Prémio RTP da Canção Portuguesa com "Sol de Inverno". É eleita Rainha da Rádio.

1969 - Volta a vencer o Festival da Canção com a canção mais marcante da sua carreira: "Desfolhada Portuguesa", de José Carlos Ary dos Santos e Nuno da Nazareth Fernandes. O tema ficará no imaginário colectivo.

1970 - Perde a voz, incidente que se prolongará por cerca de dois anos e virá a marcar profundamente a artista.

1977 - Já retomada a sua carreira, participa no espectáculo do Jubileu de sua majestade a rainha D. Isabel II de Inglaterra.

1984 - Comemora as bodas de prata da sua carreira com um programa televisivo: "Meu Nome é Simone".

1988 - "Piano Bar", na RTP.

1997 - Celebra na Aula Magna os seus 40 anos de carreira; Grava um CD/DVD ao vivo no Auditório do Forum Cultural do Seixal.

2007 - Celebra os 50 anos de carreira; Inicia gravações da novela "Vila Faia" para a RTP.
2008 - 70º aniversário, a 11 de Fevereiro; "Num País Chamado Simone"- espectáculo no Coliseu dos Recreios.

2009 - 40º aniversário da "Desfolhada Portuguesa".

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Fascínios

É o programa que maior audiência tem na televisão portuguesa, a novela "Fascínios" tem parte da acção gravada no Seixal.
A novela do horário nobre da TVI veio trazer mais gente ao centro histórico da cidade e divulgá-la na televisão. O grosso da história no Seixal é passada na Praça dos Mártires da Liberdade, mais concretamente na Associação Nautica do Seixal, mas também poderemos ver cenas na Praça da República, Praça Luís de Camões, Rua Paiva Coelho, Rua Sociedade União Seixalense e Praça 1º de Maio.

É curioso, quando passeamos pelas ruas do Seixal, cruzarmo-nos com as caras conhecidas de Marina Mota, Rogério Samora, Alexandra Lencastre, Júlio César, Julie Sargent, entre outras.

Que venham mais actividades dinamizadoras deste local tão interessante.


Na imagem: jardim e edifício onde decorre parte da história.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Fragmentos de Pessoa


Voltei...

Voltei ao Animateatro, porque quando se gosta de algo, deve-se sempre repetir. Repeti a viagem até ao espaço, mas repeti com menos gente, pois a Catarina está no Algarve a ver o Carnaval com outros planos de fundo!

Fui com o Ricardo ver a peça "Fragmentos de Pessoa", cuja única personagem era representada pelo Sérgio Prieto, a encenação estava a cargo do Ricardo Santos, a dramaturgia pela professora Gabriela Benavente (a Babá!) e a cenografia por Alexandra Varela.

Continuem sempre com sucesso!

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Yerma


No passado sábado desloquei-me até ao Espaço Animateatro para ver a peça "Yerma" de F. Garcia Lorca, acompanhado pelos meus melhores amigos e família.

Gostei bastante de ver a peça, os jogos de luzes, a música de fundo e, acima de tudo, os actores (de quem destaco a Lina - a Yerma, que emocionava só de vê-la).

Num ambiente pequeno e acolhedor, o Animateatro consegue transmitir cultura a quem o visita e a quem nele estuda.

No ano passado, tive o previlégio de ver a "Bodas de Sangue", do mesmo autor, onde me surpreendi com o profissionalismo da minha amiga Maria João, que fazia de Mãe, e que podemos vê-la em "Os Figurantes", na Sociedade Filarmónica União Seixalense.

Para o excelente profissionalismo, para o Animateatro e para o encenador Ricardo, os meus parabéns. Bem-Hajam!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Um Perfume Diferente


A vida corria bem para o Grupo de Baile naquele ano de 1981.Já não eram apenas o grupo de amigos que se conheciam desde a infância, dos tempos em que tocavam na Sociedade Filarmónica União Seixalense, nem sequer aquela banda que corria pelo circuito dos bailes com umas rocalhadas importadas do estrangeiro.As 99 mil cópias do single "Patchouly/Já Rockas à Toa", lançadas em Janeiro no mercado, foram consumidas vorazmente. As que traziam o "piiiiii" sobre a palavra "pentelho" e as em que se ouvia tudo. O Grupo de Baile fez disco de ouro em apenas um mês. Foi tiro e queda: primeiro o tiro, depois a queda.
Quase dois anos depois, mesmo tendo gravado um novo single, "Estória Linda", o Grupo de Baile não voltou a ter o mesmo sucesso. Volatizaram-se. Viveram a mesma história que muitas outras bandas nascidas durante o "boom" do rock português, na euforia daqueles anos de 1980 a 1982, em que o panorama musical explodiu de uma tal forma que só podia mesmo vir depois a implodir.


Músicos:

Carlos Manuel Tavares ( voz)

Vicente Andrade (guitarra)

Luís Rosado (bateria)

António Manuel (baixo)

Luís Landeiroto (orgão)

Marcelino (saxofone alto)

João Mário (saxofone tenor)

José Manuel Raminhos (trompete)


Letras:

Vitor Manuel Perdigão


"Patchouly"
Ai que bem cheiras, que bem cheiras dos sovacos,
as meias rotas e os sapatos descascados,
Nas avenidas ainda fazes os teu engates,
e tudo graças ao perfume Patchouly…
Essas miúdas das escolas secundárias,
com cheiro a leite e o soquete p’lo artelho,
ficam maradas com o teu charme perfumado,
o teu perfume Patchouly…

Essas míudas das escolas secundárias
já fumam ganzas na paragem do eléctrico,
conversas parvas com mais mousse que pentelho,
não dizem duas quando estão ao pé de ti…

Porque elas gostam de te ver e cheirar
o teu perfume Patchouly

Algazarra & Companhia


O Grupo de Animação de Rua da Sociedade Filarmónica União Seixalense continua a actuar, dinamizando e alegrando a malta com a sua presença!

Depois das Festas Populares de São Pedro do Seixal e do São Martinho, os Algazarra & Companhia vão actuar na Bolsa de Turismo de Lisboa, situada na FIL - Parque das Nações no dia 20 de Janeiro pelas 16 horas.

O grupo composto por 16 músicos fez a sua estreia no 1º de Maio de 2006, onde desfilou pelas ruas do Seixal, tocando a "Internacional". Os Algazarra já actuaram na Mundet, no Festival de Teatro de Almada (onde tocaram a bordo de um cacilheiro), na feira franca das Festas Populares de São Pedro, etc.

O seu repertório varia entre Marchas Populares, Música do Festival Eurovisão da Canção, Pasodobles, Marchas de Rua, Música Tradicional, Dixieland, etc., desctacando-se, por exemplo, "Cheira Bem, Cheira a Lisboa", "Amparito Roca", "When The Saints Go Marching In", "Bailinho da Madeira", "Olhos Negros" e "Óculos de Sol".

Missão Cumprida


Após o sucesso da estreia no mês de Dezembro, "Os Figurantes" - peça levada a cabo pelo Grupo Cénico A Fénix, volta a representar no salão nobre da Sociedade Filarmónica União Seixalense no próximo dia 19 de Janeiro, pelas 21h45.
A estreia viu uma sala lotada com duas centenas e meia de espectadores, nos quais se destacava Joaquim Letria.
Assim, o Grupo Cénico A Fénix inicia uma tournée pelos palcos do país com a peça "Os Figurantes", de Juan Pereira, representando no mês de Janeiro no Seixal e em Azeitão no dia 26.


"Os Figurantes", de Juan Pereira
Dia 19 de Janeiro, 21h30
Sociedade Filarmónica União Seixalense
Rua Dona Maria II, 21-23 - Seixal

Dia 26 de Janeiro, 21h30
Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense
Rua S.F.P.A. - Vila Nogueira de Azeitão


Sinopse / Argumento:
Carlos é um homem pacato e tímido que não gosta de arriscar em novos desafios. Mas tudo muda quando a sua namorada acaba a relação com ele, para seguir a sua carreira como actriz na televisão. Carlos descobre que foi despedido do seu emprego e, com a ajuda do amigo Jaime, concorre a um casting para a televisão, de modo a reconquistar o seu amor.
Uma comédia romântica com personagens excêntricas que surgem no caminho de Carlos, que consegue garantir um lugar como figurante na peça da sua amada.
Será que tudo acabará bem?

Para mais informações, consulte o http://www.uniaoseixalense.org/.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Os Flamingos


Nos últimos dias, a baía do Seixal, no estuário do Tejo, tem registado o maior número de flamingos dos últimos sete anos, um fenómeno justificado pela melhoria ambiental do ecossistema.O aparecimento de flamingos na Baía do Seixal não é um fenómeno inédito, mas há cerca de sete anos que não se assistia ao aparecimento destas aves migratórias em tão grande número nesta zona.

Os flamingos pousaram pela primeira vez nesta baía em 1998, o que poderá justificar-se pela concretização da nova Etar (Estação de tratamento de águas residuais) de Fernão Ferro e da estação elevatória do Porto da Raposa, na Arrentela, o que provocou uma melhoria ambiental e do ecossistema propícias ao aparecimento deste tipo de aves. Estas aves procuram ainda as zonas húmidas da Ponte da Fraternidade e os sapais de Corroios, Azinheira e Talaminho.

"Com o abrandamento das indústrias poluentes e construção de estações de tratamento de águas residuais assistimos a uma melhoria sensível da qualidade da água e consequentemente do alimento, a principal razão pela qual os flamingos procuram estes poisos", adiantou Manuel Lima, professor de ciências naturais e estudioso da fauna e flora no Concelho do Seixal.Estima-se que existam no estuário do Tejo “entre seis a oito mil flamingos”.

Seixal, Alcochete, Montijo, Moita, Barreiro ou até a zona do Parque das Nações e Póvoa de Santa Iria têm sido os locais privilegiados de chegada destas aves, sempre na altura do Outono ou Inverno. "Na Primavera, procurarão outros poisos, porque os flamingos não nidificam aqui, põem os seus ovos preferencialmente em Málaga, Sul de França e Norte de África", explicou.

Tertúlia Gil Eanes


Uma Homenagem a Catarina Perdigão e à Márcia Poupinha, pois somos nós os três que fazemos esta tertúlia semanalmente.


Porquê "Gil Eanes"? - Porque quando estas meninas vão entrar na Escola Secundária José Afonso às 13h35, chegam mais cedo e encontramo-nos sempre para conversar numa rua em frente à escola: a Rua Gil Eanes. Esta tertúlia serve para actualizar conversa.


Um beijo às duas!

sábado, 17 de junho de 2006


Seixal 'ganhava' Conservatório Metropolitano de Música
Há precisamente 5 anos, a imprensa concelhia e nacional apresentava a seguinte notícia:

A partir de Novembro, o concelho do Seixal vai dispor de um conservatório de música. Chamar-se-á Conservatório Metropolitano do Seixal e vai ser instalado na Quinta da Fidalga, junto às Cavaquinhas, que dispõe de uma antiga casa senhorial datada do século XVI e que a Câmara adquiriu no ano passado. O parceiro estratégico para o desenvolvimento deste pólo cultural vai ser a Associação Educação e Música de Lisboa, entidade gestora da Orquestra Metropolitana de Lisboa, do Conservatório Metropolitano e da Academia de Música de Lisboa.
A abertura de um conservatório no Seixal “é um sonho antigo da autarquia, já que o concelho tem uma grande tradição ao nível das bandas filarmónicas”, considera o presidente da Câmara Municipal, Alfredo Monteiro, frisando que o município dispõe de cinco bandas centenárias, com músicos espalhados por quase todas as orquestras do País. Por isso, defende que esta “era uma lacuna que faltava preencher”, nomeadamente no que diz respeito à promoção da identidade musical daquele concelho.
A Associação Educação e Música de Lisboa é a parceira da Câmara no desenvolvimento deste pólo cultural, pois foi a entidade “que correspondeu a todo este conjunto de requisitos”. Uma parceria que, este mês, levou à assinatura do protocolo entre as duas partes (...).
Hoje vale a pena perguntar: onde está o conservatório? E por que ralo abaixo foi o sonho antigo da autarquia? E a lacuna, está preenchida pelo Portugal a Rufar?
Pois é, neste concelho há muitos assuntos que viram completamente a seu oposto e, para que o povo não reprove o poder local, promovem-se festas e feiras com o brasão de uma das Câmaras mais endividadas do país.
É triste saber que os músicos seixalenses têm que se deslocar para Lisboa e Setúbal e, se quiserem fazer um curso profissional que engloba música/escolariedade completa, basta dirigirem-se à Covilhã! É mais triste ainda ver bandas filarmónicas centenárias, que sempre tiveram dificuldades financeiras, serem despresadas monetariamente com as "esmolas" que a Câmara oferece e saber que existem "orquestras de percussão" com dez anos de vida a receberem avantajados subsídios, festas de barulho pagas, sede social construida pela Câmara e que nem sequer dizem que são do Seixal, enquanto que a primeira coisa que transparece numa filarmónica é o nome da terra.
Tal como o conservatório, havemos de esperar eternamente pela universidade, pelo hospital, pela ponte para o Barreiro, pelo metropolitano e pelo bom senso da autarquia, pois é excusado falar nos carros topo-de-gama (da C.M.S.) em que os vereadores circulam.
Tenho pena de viver num Seixal que vai perdendo a confiança dos municipes, pois poderiamos estar muito melhor e muito mais bem situados.

terça-feira, 16 de maio de 2006

Seixal, cidade viva!











Mal sabiam os descobridores da praia dos seixos que a Aldeia do Seixal, Villa Nova do Seixal e posteriormente Vila do Seixal, passaria a cidade um dia.
Hoje, essa grande e bela cidade está a comemorar o seu 13º aniversário e como tal existem inúmeros espectáculos e exposições alusivas, destacando-se a Feira Medieval na Quinta da Fidalga e o Concerto pelas três bandas da cidade que é composta pelas freguesias de Arrentela e Seixal.
Parabéns Seixal, bem haja!