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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Simone Recebe Globo de Mérito e Excelência


A cantora e actriz Simone de Oliveira venceu esta noite o prémio Mérito e Excelência na XVI edição dos Globos de Ouro, uma iniciativa da SIC e da Caras.

Simone de Oliveira recebeu emocionada o principal galardão da noite pelas mãos de Francisco Pinto Balsemão, que não poupou elogios à homenageada.

"Só três vezes é que atribuímos este prémio a uma mulher, mas este ano ganha uma mulher de armas, que se envolve em grandes causas, uma pessoa com espírito combativo e com um grande trabalho ao serviço do mundo da cultura e do espetáculo", sublinhou Francisco Balsemão, presidente do grupo Impresa.

A cantora da "Desfolhada" dedicou o prémio a toda a família e agradeceu ao público em geral.

"Chegar aqui foi porque a vida me deixou. Agradeço aos poetas, músicos, iluminadores, ao meu querido Parque Mayer e a todas as pessoas que me deixaram chegar aqui. A todos os velhos artistas com quem trabalhei e aos mais novos com quem tenho trabalhado. Com todos aprendi. O meu obrigado e até sempre", disse Simone de Oliveira.

in Jornal Expresso

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Adeus

Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou, se preferes, a minha boca nos teus olhos
carregada de flor e dos teus dedos;

Como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve - e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.

Como se a noite viesse e te levasse,
era só fome o que eu sentia;
Digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde o teu corpo principia.

Como se houvesse nuvens sobre nuvens
e sobre as nuvens o mar perfeito,
ou, se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.

Eugénio de Andrade

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A Desfolhada da Hermínia Silva



Hermínia Silva nasceu em 1907, cinco anos depois de Ercília Costa, a primeira fadista que saiu das fronteiras de Portugal. Cedo se tornou presença notada nos retiros de Lisboa, que não hesitaram em contratá-la, pela originalidade com que cantava o Fado. A Canção dos Bairros de Lisboa estava-lhe nas veias, não fôra ela nascida, ali mesmo junto ao Castelo de São Jorge. As "histórias" dos amores da Severa com o Conde de Vimioso estavam ainda frescas na memória do povo.
Para além de fadista foi também actriz e teve uma casa de fados no Bairro Alto denominada "O Solar da Hermínia".

Nesta versão da "Desfolhada Portuguesa" popularizada pela Simone de Oliveira, apenas a música de Nuno Nazareth Fernandes permaneceu, dando os versos de Ary dos Santos lugar aos de Eduardo Damas.
Esta "Desfolhada da Hermínia" critica o facto da canção interpretada pela Simone ter sido uma das mais belas de sempre e ser tão mal classificada na Eurovisão de 1969, no Teatro Real de Madrid.
Hermínia critica o fraco gosto das canções vencedoras e as "politiquíces" que ainda hoje envolvem o Festival assim como os portugueses.
Hermínia Silva alcançou um estatuto perante a ditadura que a permitia dizer quase tudo, pois a ignorância no Estado Novo era uma das virtudes.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Recordando Ary dos Santos

No passado dia 16 de Outubro voltei a cantar Ary dos Santos, desta vez na Sociedade Filarmónica Operária Amorense, numa sala cheia para recordarmos o poeta e a música portuguesa.
Muito Obrigado ao público por assistirem e pelo apoio e aos músicos que estiveram fantásticos!
Agradeço também àqueles que menciono abaixo, porque tornaram o espectáculo mais rico.

Muito obrigado!

Ficha Técnica:
Intérpretes: Mário Barradas e Andreia Graça
Coro: Margarida Calqueiro e Márcia Poupinha
Flauta transversal: Matilde Albuquerque
Clarinete: Gonçalo Freitas
Saxofone soprano: Vitor Meireles
Saxofone alto: Ricardo Toscano
Saxofone tenor: Ricardo Rodrigues
Saxofone barítono: Vânia Martins
Trompete/fliscorne: Pedro Azevedo
Trombone: André Pedro
Tuba: João Chaveiro
Guitarra clássica: Ricardo Mendes
Piano: Alexandre Pita
Bateria: Rui Ramalho
Acessórios: Eduardo Relvas e Simão Santos
Orquestrações: Mário Barradas, Jorge Costa Pinto, Carlos Cardoso e Francisco Santos
Letras: José Carlos Ary dos Santos
Cabeleireiro: Graciete Dias
Guarda-roupa: Lurdes França e Mónica Nunes
Cenário: Joana Perdigão e Hugo Cruz
Fotografia: Paulo Jorge
Organização e apoio: Junta de Freguesia de Amora, Câmara Municipal do Seixal, Junta de Freguesia do Seixal, Sociedade Filarmónica Operária Amorense, Escola Básica 2/3 de Nun´Álvares, Projecto Comenius, Jornal Notícias do Seixal, Jornal Comércio do Seixal Rádio Baía e RDS.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Quem faz um filho, fá-lo por gosto

No dia 21 de Março cantei a "Desfolhada Portuguesa" no auditório municipal do Forum Cultural do Seixal.
Como uma imagem vale mais que mil palavras, aqui ficam as imagens que obtive.

Muito obrigado a todos!








domingo, 15 de março de 2009

Há 40 Anos a Desfolhar

Foi em Março de 1969 que Madrid viu chegar Simone de Oliveira ao seu Teatro Real para interpretar a "Desfolhada Portuguesa", que a então Espanha de Franco, cujo titulo português não gostou, traduziu-a imediatamente para "Deshojada".
Teve um percurso sinuoso e, ainda hoje é vista como uma canção interventiva fortíssima.
Não poderia deixar de assinalar o 40º aniversário da canção de Nuno Nazareth Fernandes, com orquestração do maestro Joaquim Luís Gomes e poema de José Carlos Ary dos Santos, que se vivesse, certamente perceberia o quão actualizada está a "Desfolhada".

No próximo sábado à tarde, dia 21 de Março, interpretarei a "Desfolhada Portuguesa" no Auditório Municipal do Forum Cultural do Seixal, local onde Simone de Oliveira assinalou os 40 anos de carreira, gravando ao vivo um duplo CD/DVD a que chamou de "Intimidades".

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Avé Maria do Povo

Avé, Avé Maria,
mulher de um carpinteiro
e mãe do homem novo,
Senhor do mundo inteiro.
Avé mulher do povo,
Maria camponesa
que trazes sangue novo
ao corpo da tristeza.

Ouve esta nossa voz,
nós rogamos por nós,
por nós que estamos sós
e quase abandonados.

Senhora da má sorte
sem culpa concebida,
nós não pedimos a morte,
nós só pedimos a vida.

Ouve esta nossa voz,
nós rogamos por nós,
por nós que estamos sós
e mal-aventurados.

Senhora da ternura,
Senhora da alegria,
teu fruto está maduro.
É quase um novo dia,

Natal, Natal.

Poema de José Carlos Ary dos Santos.
Interpretado por Simone de Oliveira e gravado no lado B do viníl da "Desfolhada Portuguesa", em 1969.
Imagem: Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição - Seixal.

domingo, 16 de novembro de 2008

Simone de Oliveira na SIC

Na próxima segunda-feira, dia 17 de Novembro, o programa da SIC "Vip Manicure" recebe a Simone de Oliveira como convidada para um pouco de humor no nosso fim-de-dia.
Entretanto, na Rádio TSF, o mesmo programa de Ana Bola e Maria Rueff já a entrevistou e podemos acompanhar quase uma hora da grande senhora a falar e a cantar.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Simone de Oliveira de Perfil

O disco duplo com os maiores êxitos de Simone de Oliveira, já está à venda em todo o país e arredores. Este albúm acarreta canções originais e versões de outros cantores que fazem parte dos 50 anos de história de carreira da cantora/actriz.

Disco 1 - Os clássicos
1. DESFOLHADA PORTUGUESA
2. COMEÇAR DE NOVO
3. NEM EU NEM VOCÊS
4. NÃO TE PEÇO PALAVRAS
5. AVÉ-MARIA DO POVO
6. SENSATEZ
7. DE SAUDADE EM SAUDADE
8. JÁ OUVISTE O MAR
9. PRAIA DE OUTONO
10. CANÇÃO CIGANA
11. OLHOS NOS OLHOS
12. SOL DE INVERNO
13. CANÇÃO AO MEU PIANO VELHO
14. PINGOS DE CHUVA
15. NUNCA MAIS A SOLIDÃO
16. AS PALAVRAS QUE EU CANTEI
17. APENAS O MEU POVO
18. MULHER PRESENTE

Disco 2 - As versões
1 . YESTERDAY
2 . ESTRANHOS NA NOITE (STRANGERS IN THE NIGHT)
3 . NE ME QUITTE PAS (NÃO ME VAIS DEIXAR)
4 . ALGUÉM QUE TEVE CORAÇÃO (ANYONE WHO HAVE AN HEART)
5 . AS COISAS DE QUE EU GOSTO (MY FAVORITE THINGS)
6 . AQUELES DIAS FELIZES (THOSE WERE THE DAYS)
7 . MARIONETTE (PUPPETS ON THE SPRING)
8 . A BANDA
9 . FALAR COM OS ANIMAIS (DR. DOOLITTLE)
10 . EU DANÇARIA ASSIM (I COULD HAVE DANCE ALL NIGHT)
11 . QUANDO ME ENAMORO (QUANDO M'INNAMORO)
12 .ÉS A MINHA CANÇÃO (THIS IS MY SONG)
13 . QUE C'EST TRISTE VENICE
14 . TU SÓ TU (SOMETHING STUPID)
15 . ONDE VAIS (EDELWEISS)
16 . NO TEU POEMA
17 . GLÓRIA GLÓRIA ALELUIA
18. DESHOJADA (DESFOLHADA PORTUGUESA)

domingo, 20 de julho de 2008

Tango Ribeirinho

É à beira da ribeira
Que Lisboa abre os olhos
Quando acorda de manhã
À cabeça da peixeira
Há fruta-do-mar aos molhos
Que põe mais sal na manhã

É à beira da ribeira
Que os marujos vão curtir
Os restos da bebedeira
Que apanharam a sorrir

É à beira da ribeira
Que acorda a cidade inteira
Que apregoa a vendedeira
Que a gente gosta de ouvir



REFRÃO
Este tango ribeirinho
Sabe a Tejo e sabe a vinho
Este tango da cidade
Tem navalhas de saudade
Tem punhais de solidão
A doer devagarinho
Dentro do meu coração

Este tango ribeirinho
Tem fragatas de carinho
Tem andorinhas nas telhas
E cravos de por na orelha
Sardinheiras encarnadas
Junto às toalhas de linho
Penduradas nas sacadas
Este tango ribeirinho



É à beira da ribeira
Que há canalhas e há malandros
E mulheres de meia-porta
Mas à beira da ribeira
Há cabazes de morangos
Que ainda nos sabem a horta

É à beira da ribeira
Que vai esperar o estivador
Numa manhã toda inteira
Que lhe comprem o suor

É à beira da ribeira
Que um ramo de erva cidreira
Traz a ternura e cheira
A Lisboa, meu amor


REFRÃO




Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: Nuno Nazareth Fernandes e Thilo Crassman

domingo, 13 de julho de 2008

Sete Letras

Esta palavra saudade
sete letras de ternura
sete letras de ansiedade
e outras tantas de aventura.
Esta palavra saudade
a mais bela e mais pura
sete letras de verdade
e outras tantas de loucura.

Sete pedras, sete cardos,
sete facas e punhais
sete beijos que são nardos
sete pecados mortais.

Esta palavra saudade
dói no corpo devagar
quando a gente se levanta
fica na cama a chorar.

Esta palavra saudade
sabe a sumo de limão
tem o travo de amargura
que nasceu do coração.

Ai! palavra amarga e doce
estrangulada na garganta
palavra como se fosse
o silêncio que se canta.

Meu cavalo imenso e louco
a galopar na distância
entre o muito e entre o pouco
que me afasta da infância.

Esta palavra saudade
é a mais prenha de pranto
como um filho que nascesse
por termos sofrido tanto.

Por termos sofrido tanto
é que a saudade está viva
são sete letras de encanto
sete letras por enquanto
enquanto a gente for viva.

Este palavra saudade
sabe ao gosto das amoras
cada vez que tu não vens
cada vez que tu demoras.

Ai! palavra amarga e doce
debruçada na idade
palavra como se fosse
um resto de mocidade.

Marcada por sete letras
a ferro e a fogo no tempo
Ai! palavra dos poetas
que a disparam contra o vento.

Esta palavra saudade
dói no corpo devagar
quando a gente se levanta
fica na cama a chorar.

Por termos sofrido tanto
é que a saudade está viva
são sete letras de encanto
sete letras por enquanto
enquanto a gente for viva.
Dos mais belos poemas de José Carlos Ary dos Santos, interpretado por Simone de Oliveira.

sábado, 12 de julho de 2008

Cinco Quadras, Cinco Pedras

Meu amor se fosses barco
eras um barco de mágoa
ancorado na saudade
dos meus olhos rasos d'água.

Meu amor se fosses rio
corrias pelo meu corpo
até acender o frio
no meu olhar fogo morto.

Meu amor se fosses vaga
rebentarias em mim
com esta maré de raiva
que me vai levando ao fim.

Meu amor se fosses vento
rugias neste deserto
aonde soa um lamento
dos meus dois pulsos abertos.

Meu amor se fosses pedra
caías na solidão
deste lago de ternura
a que chamo coração.
Letra: José Carlos Ary dos Santo
Música: Nuno Nazareth Fernandes
Intérprete: Simone de Oliveira
(Na imagem está José Carlos Ary dos Santos, Simone de Oliveira e Nuno Nazareth Fernandes na entrega do 1º Prémio a "Desfolhada Portuguesa", no Teatro São Luiz em 1969)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Apenas o Meu Povo


Quem disse que morreu a madrugada?
Quem disse que esta noite foi perdida?
Quem pôs na minha alma magoada
As palavras mais tristes que há na vida?

Quem me disse saudade em vez de amor?
Quem me disse tristeza em vez de esperança?
Quem me lançou a pedra do terror
Matando o cantador e a criança?

Quem fez da minha espera desespero?
Quem fez da minha sede temperança?
Quem me dando tudo quanto eu quero
Da minha tempestade fez bonança?

Quem amainou os ventos do meu corpo
E saciou o mar da minha fome?
Quem foi que me venceu depois de morto
E soletrou as letras do meu nome?

Quem foi que me fez servo sem servir?
Quem foi que me fez escravo sem querer?
Quem foi que disse que eu podia ir
Tão longe quanto nós podemos ser?

Apenas quem me viu calado e triste
E despertou em mim um mundo novo,
Apenas a esperança que resiste
Apenas o meu sangue, apenas o meu povo.

Apenas a esperança que resiste
Apenas o meu sangue, apenas o meu povo.


Poema de José Carlos Ary dos Santos
Música de Fernando Tordo
Intérprete: Simone de Oliveira

Ganhou o Prémio de Interpretação no Festival RTP da Canção de 1973

sexta-feira, 28 de março de 2008

O Amigo Que Eu Canto


Cantada por Simone de Oliveira no final do espectáculo comemorativo dos 50 anos de carreira no Coliseu dos Recreios, denominado "Num País Chamado Simone", esta canção foi a última que os seus autores fizeram juntos, sendo escrita para o espectáculo Sopa de Pedra em 1980.
A letra é do poeta José Carlos Ary dos Santos e a música de Fernando Tordo.


Desde quando nasci
Que o conheço e lhe quero
Como a um irmão meu
Como ao pai que perdi,
Como tudo o que espero.

É um homem que tem o condão da doçura
No sorriso de água, nos olhos cansados,
É metade alegria, é metade ternura
Nas palavras cantadas, nos gestos dançados,
Nos silêncios magoados.

Tem um rosto moreno
Que o inverno o marcou
E apesar de ser forte,
É um homem pequeno
Mas maior do que eu sou.

Tem defeitos, é certo. Como todos nós.
Sonha, às vezes demais,
Fala, às vezes no ar
Mas quando dentro dele a alma ganha a voz
É tal como se fosse o som do nosso mar,
Se pudesse falar...

REFRÃO
Foi capaz de mentir,
Foi capaz de calar
É capaz de chorar e de rir,
Tem um quê de fadista,
Tem um quê de gaivota,
E a mania que há-de ser artista.
Quando vê que precisa
É capaz de roubar,
Mas também sabe dar a camisa.
Foi capaz de sofrer,
Foi capaz de lutar,
È capaz de ganhar
E perder.

É um amigo meu que às vezes me ofende
Mas que eu sei que me escuta,
Que eu sei que me ouve
E também compreende.
Quantas vezes lhe digo que tenha juízo,
Que a mania dos copos só lhe faz é mal,
Que a preguiça não paga e que o trabalho é preciso.
Ele encolhe-me os ombros num despreso total,
Este tipo é assim, mas...

REFRÃO
Foi capaz de mentir,
Foi capaz de calar
É capaz de chorar e de rir,
Tem um quê de fadista,
Tem um quê de gaivota,
E a mania que há-de ser artista.
Quando vê que precisa
É capaz de roubar,
Mas também sabe dar a camisa.
Qual o nome final
Deste amigo que eu canto?
Pois é claro que é
Portugal.