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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Amesterdão

Porque há imagens que valem mais que mil palavras...


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Fado

Não resisto em partilhar convosco este belo poema e respetiva imagem, publicado pelo genial Mário Raínho aquando da elevação do Fado a Património Imaterial da Humanidade.

FADO PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE

Está o fado, em pandemónio,
Elevado a património,
Estatuto que nos é terno...
Mas temos que ter cuidado:
Que não vá vender, do fado,
Seu património, o governo!?

Como o país está à rasca
E nossa sorte é atípica...
Vão colectar cada tasca
E toda casa que é típica!!!

Se isso acontecer, sabemos
Vai dar grande sururú
E o governo corremos
Com um biqueiro no Cú!!!

Poema de Mário Raínho

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A Cristina de Castro Deixará Saudade

Partiu!
Após duas quedas distanciadas por dois meses, a cantora lírica Cristina de Castro sucumbiu a uma paragem cardio-respiratória no Hospital Dr. Egas Moniz, onde se encontrava há três semanas.
Ontem, numa tarde triste, desloquei-me pela última vez até à minha professora de canto e, acima de tudo, amiga, que se encontrava na capela mortuária do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.
Cheguei à porta e estava o Luís Represas a conversar com João Gil e o Paulo de Carvalho, que me indicou onde estava a nossa professora. O calor era insuportável devido à quantidade de gente que se dirigiu, tal como eu, a Belém para lhe prestar uma última homenagem.
Um salva de palmas acompanhou-a à saída da capela para se dirigir até aos Olivais, onde foi cremada.
O quadro - sim, aquele quadro com a montagem das suas fotografias, que estava na sala - acompanhou-a.
Ficará na memória o seu modo italiano de atender o telefone: - "Pronto!" (só a Cristina o dizia). Ficará também algumas histórias e curiosidades que me contou como o facto de eu ter o nome do seu pai.

Será sempre bom lembrar que Cristina de Castro foi uma das melhores sopranos portuguesas, cantou com Maria Callas no Teatro de São Carlos, em Lisboa e ganhou o prémio de melhor cantora estrangeira em Liverpool - Inglaterra.

Até qualquer dia Cristina!


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Dia de Reis

Neste dia, segundo a tradição cristã, os três reis-magos chegam à mangedoura, em Belém, onde visitam o menino Jesus e lhe entregam três presentes: ouro, incenso e mirra. Baltasar, Gaspar e Belchior (ou Melchior) foram guiados pela estrela do norte.

Ora, todos estes simbolismos encontramos ainda hoje quando colocamos a estrela no cimo da árvore de Natal e quando abrimos os presentes. Mais correctos ainda são os espanhóis que abrem os presentes na noite de reis.

Nós por cá temos o tradicional bolo-rei que, aquando da queda da monarquia chegou a ter os nomes de bolo-presidente e bolo-arriaga.

Deixo-vos este link - http://www.youtube.com/watch?v=7OgBX8lL90I para que oiçam e vejam uma das formas que a beleza tomou pela mão do grande Mário de Sampayo Ribeiro, aqui interpretado pelo Coro de São Domingos: "Eu hei-de m'ir ao presépio" retirado da suite "Natal de Elvas".

Continuação de bom ano novo!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Recordando Ary dos Santos

No passado dia 16 de Outubro voltei a cantar Ary dos Santos, desta vez na Sociedade Filarmónica Operária Amorense, numa sala cheia para recordarmos o poeta e a música portuguesa.
Muito Obrigado ao público por assistirem e pelo apoio e aos músicos que estiveram fantásticos!
Agradeço também àqueles que menciono abaixo, porque tornaram o espectáculo mais rico.

Muito obrigado!

Ficha Técnica:
Intérpretes: Mário Barradas e Andreia Graça
Coro: Margarida Calqueiro e Márcia Poupinha
Flauta transversal: Matilde Albuquerque
Clarinete: Gonçalo Freitas
Saxofone soprano: Vitor Meireles
Saxofone alto: Ricardo Toscano
Saxofone tenor: Ricardo Rodrigues
Saxofone barítono: Vânia Martins
Trompete/fliscorne: Pedro Azevedo
Trombone: André Pedro
Tuba: João Chaveiro
Guitarra clássica: Ricardo Mendes
Piano: Alexandre Pita
Bateria: Rui Ramalho
Acessórios: Eduardo Relvas e Simão Santos
Orquestrações: Mário Barradas, Jorge Costa Pinto, Carlos Cardoso e Francisco Santos
Letras: José Carlos Ary dos Santos
Cabeleireiro: Graciete Dias
Guarda-roupa: Lurdes França e Mónica Nunes
Cenário: Joana Perdigão e Hugo Cruz
Fotografia: Paulo Jorge
Organização e apoio: Junta de Freguesia de Amora, Câmara Municipal do Seixal, Junta de Freguesia do Seixal, Sociedade Filarmónica Operária Amorense, Escola Básica 2/3 de Nun´Álvares, Projecto Comenius, Jornal Notícias do Seixal, Jornal Comércio do Seixal Rádio Baía e RDS.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

"Mário Barradas canta Ary dos Santos"

As Festas Populares de São Pedro do Seixal contaram com uma actuação minha...
Gostei muito de cantar e gostei muito do público que me assistiu, pelo que vale a pena repetir canções como a "Tourada", a "Desfolhada Portuguesa", a "Lisboa Menina e Moça" ou o "Tango Ribeirinho".

Assim sendo, agradeço a todos o apoio prestado.
Muito Obrigado!





Ficha Técnica:
Intérprete: Mário Barradas
Coro: Margarida Calqueiro e Márcia Poupinha
Flauta transversal: Matilde Albuquerque
Clarinete: Gonçalo Freitas
Saxofones soprano/alto/tenor: Vitor Meireles
Saxofone barítono: Vânia Martins
Trompete/fliscorne: Pedro Azevedo
Guitarra clássica: Ricardo Mendes
Piano: Ana Lagarto
Bateria: Rui Ramalho
Acessórios: Eduardo Relvas
Orquestrações: Mário Barradas, Jorge Costa Pinto, Carlos Cardoso e Francisco Santos
Letras: José Carlos Ary dos Santos e Vítor Perdigão
Cabeleireiro: Graciete Dias
Guarda-roupa: Maria Manuela e Lurdes França
Cenário: Joana Perdigão
Organização e apoio: Junta de Freguesia do Seixal, Câmara Municipal do Seixal, Sociedade Filarmónica Operária Amorense, Sociedade Filarmónica União Seixalense e Sociedade Filarmónica Democrática Timbre Seixalense.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Quem faz um filho, fá-lo por gosto

No dia 21 de Março cantei a "Desfolhada Portuguesa" no auditório municipal do Forum Cultural do Seixal.
Como uma imagem vale mais que mil palavras, aqui ficam as imagens que obtive.

Muito obrigado a todos!








domingo, 15 de março de 2009

Há 40 Anos a Desfolhar

Foi em Março de 1969 que Madrid viu chegar Simone de Oliveira ao seu Teatro Real para interpretar a "Desfolhada Portuguesa", que a então Espanha de Franco, cujo titulo português não gostou, traduziu-a imediatamente para "Deshojada".
Teve um percurso sinuoso e, ainda hoje é vista como uma canção interventiva fortíssima.
Não poderia deixar de assinalar o 40º aniversário da canção de Nuno Nazareth Fernandes, com orquestração do maestro Joaquim Luís Gomes e poema de José Carlos Ary dos Santos, que se vivesse, certamente perceberia o quão actualizada está a "Desfolhada".

No próximo sábado à tarde, dia 21 de Março, interpretarei a "Desfolhada Portuguesa" no Auditório Municipal do Forum Cultural do Seixal, local onde Simone de Oliveira assinalou os 40 anos de carreira, gravando ao vivo um duplo CD/DVD a que chamou de "Intimidades".

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Autobiografia

Hoje falar-vos-ei um pouco de mim.
Conhecerão o que fiz ao longo destes meus quase 23 anos de idade, nesta minha autobiografia.

Nasci a 1 de Janeiro de 1986 em São Sebastião da Pedreira - Lisboa, tendo adoptado como minha terra o Seixal.
Iniciei os estudos musicais aos 12 anos na Sociedade Filarmónica União Seixalense, vulgo “Os Prussianos”, com Cláudia Cunha e Marco Rosa.
Aos 13 anos ingressei na banda como executante de trompete e aprofundo os meus estudos na Academia de Música e Belas Artes Luísa Tódi e no Conservatório Regional de Setúbal, onde frequentei o curso oficial de trompete.
Na minha formação descacam-se os professores: Maestro José Augusto Carneiro, a Maestrina Filipa Palhares, Raul Avelãs, António Laertes, Maria do Céu Santos, Bárbara Villalobos e Carlos Marques.

Em 2005 participei no Concurso Internacional “Flicorno D’Oro” em Riva del Garda - Itália tendo obtido o 3º lugar com a Banda Filarmónica da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 de Alcochete. No mesmo ano recebi a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Alcochete, conferida pelo Sr. Presidente da Câmara José Dias Inocêncio.
Participei com a mesma banda no Concurso Internacional de Bandas de Vila Franca de Xira, onde obtive os primeiros lugares na 1ª Categoria e na Categoria Banda Taurina.

Como convidado, toco em várias bandas filarmónicas do país e já fui membro da Orquestra Ligeira e do Coro de Câmara do Conservatório Regional de Setúbal.
Gravei três CD’s, sendo o mais importante para mim o “Marés”, gravado com a banda da S.F. União Seixalense em 2005, onde sou solista no trio para trompetes “Bugler’s Holiday”, de Leroy Anderson.

Leccionei Educação Musical na Escola Básica do 1º Ciclo dos Foros de Amora.
Actualmente estudo na Escola de Música do Conservatório Nacional, em Lisboa, no curso de canto, tendo como professora da disciplina Filomena Amaro.
No Conservatório Nacional estudo ainda Análise e Técnicas de Composição (com Carlos Gomes), Formação Musical (com Cláudia Casquilho), Acústica e História da Música (com Helena Lima), Coro (com Tiago Marques) , Piano (com Cristina Cardoso), Alemão (com Barbara Schilling Tengarrinha) e Italiano (com Marcello Sacco).

Como em iniciação à composição de obras, fiz orquestrações de várias músicas, destacando-se a "Desfolhada Portuguesa" para orquestra e guitarra, de Nuno Nazareth Fernandes com letra do José Carlos Ary dos Santos. Sou autor de algumas Marchas Populares do Seixal, cuja letra é do Vitor Perdigão, fui membro fundador do Grupo Musical de Animação de Rua "Algazarra & Companhia" e fui músico na Grande Marcha de Alcântara.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Dispersão

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família).

O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas ânsias.

A grande ave dourada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projeto:
Se me olho a um espelho, erro —
Não me acho no que projeto.

Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.

Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi... Mas recordo

A sua boca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!...

E sinto que a minha morte —
Minha dispersão total —
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital
Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.

Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...

Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas Pra se dar
Ninguém mas quis apertar
Tristes mãos longas e lindas

Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...

Desceu-me na alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.

Álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em urna bruma outonal.

Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida,
Eu sigo-a, mas permaneço,..

Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba.

Mário de Sá-Carneiro
Paris, 1913


Este é um dos inúmeros poemas de um poeta quase desconhecido.
Este poeta, meu homónimo, nasceu em 1890 e morreu aos 26 anos, ainda muito jovem, deixando a também jovem república do seu país para trás.
No ano de 1916, quando Mário Sá-Carneiro se suicidou em Paris, deixou-nos uma obra notável, rica e estravagante, tal como ele.