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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A Cristina de Castro Deixará Saudade

Partiu!
Após duas quedas distanciadas por dois meses, a cantora lírica Cristina de Castro sucumbiu a uma paragem cardio-respiratória no Hospital Dr. Egas Moniz, onde se encontrava há três semanas.
Ontem, numa tarde triste, desloquei-me pela última vez até à minha professora de canto e, acima de tudo, amiga, que se encontrava na capela mortuária do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.
Cheguei à porta e estava o Luís Represas a conversar com João Gil e o Paulo de Carvalho, que me indicou onde estava a nossa professora. O calor era insuportável devido à quantidade de gente que se dirigiu, tal como eu, a Belém para lhe prestar uma última homenagem.
Um salva de palmas acompanhou-a à saída da capela para se dirigir até aos Olivais, onde foi cremada.
O quadro - sim, aquele quadro com a montagem das suas fotografias, que estava na sala - acompanhou-a.
Ficará na memória o seu modo italiano de atender o telefone: - "Pronto!" (só a Cristina o dizia). Ficará também algumas histórias e curiosidades que me contou como o facto de eu ter o nome do seu pai.

Será sempre bom lembrar que Cristina de Castro foi uma das melhores sopranos portuguesas, cantou com Maria Callas no Teatro de São Carlos, em Lisboa e ganhou o prémio de melhor cantora estrangeira em Liverpool - Inglaterra.

Até qualquer dia Cristina!


segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Conservatório e o Bairro Alto

A Escola de Música do Conservatório Nacional é uma das escolas que compõem o Conservatório Nacional de Lisboa (a outra é a Escola Superior de Teatro e Cinema).

A criação de um conservatório para o ensino da música em Lisboa é fortemente devida ao compositor português João Domingos Bomtempo (1775-1842), que era igualmente um pedagogo de reconhecido mérito. Quando regressou a Portugal (1834), Bomtempo pôs em prática a reforma do ensino musical em Portugal, com base nos contactos que foi fazendo no estrangeiro e com a observação das respectivas reformas de ensino musical, tanto em França como na Inglaterra.

O projecto inicial surgido aquando da criação de um Conservatório de Música seguia o modelo da escola de música parisiense. Em 5 de Maio de 1835, Dona Maria II deu o seu aval para a construção do conservatório no edifício onde outrora funcionou o Convento dos Caetanos, sendo anexo à Casa Pia e dirigido por Bomtempo.

A sua localização:

O Bairro Alto, outrora conhecido como Vila Nova dos Andrades, é uma zona típica de Lisboa de ruas estreitas e empedradas adjacentes às zonas do Carmo e do Chiado, com casas seculares e pequeno comércio tradicional. Construído mais ou menos em plano ortogonal em finais do século XVI, o Bairro Alto é um dos mais pitorescos da cidade, sendo delimitado a oeste pela Rua do Século, a este pela Rua da Misericórdia, a norte pela Rua Dom Pedro V e a sul pela Rua do Loreto e Largo do Calhariz. O Bairro Alto divide-se pelas freguesias da Encarnação (a nascente) e Santa Catarina (a poente).

Durante o Século XIX e até ao terceiro quartel do Século XX, o bairro abrigava as sedes dos principais jornais e tipografias do país. Ainda hoje é possível encontrar ecos desse tempo em nomes de ruas como a Rua Diário de Notícias ou a Rua do Século. Este bairro, um dos mais intelectuais da capital, frequentado e habitado por jornalistas, escritores e estudantes, a um passo do Chiado, era também lugar de tascas de marinheiros, de lugares de má fama e de prostituição. Vitorino Nemésio faz alusões a este ambiente no romance Mau Tempo no Canal.

Rua da Rosa (principal artéria do Bairro Alto)

O edifício onde nasceu o Diário de Notícias foi mais tarde ocupado por A Capital (diário extinto em 2005), sendo hoje mais conhecido por «Edifício A Capital». Foi neste prédio que a companhia de teatro Artistas Unidos esteve sediada durante muito tempo. A companhia abandonou o espaço há alguns anos, uma vez que a Câmara Municipal vai proceder a obras de reabilitação.

Desde os anos 80 do século passado que é a zona mais conhecida da noite alfacinha, com inúmeros bares e restaurantes a par das casas de fado, local onde se situavam também quase todos os órgãos de imprensa de distribuição nacional. Nos últimos 20 anos adquiriu uma vida muito própria e característica, onde se cruzam diferentes gerações na procura de divertimento nocturno.