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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Fado Moliceiro


Na continuação do disco "Um Homem na Cidade", Carlos do Carmo e Ary dos Santos juntaram-se a vários músicos e criaram "Um Homem no País".
Deste último, recordo o Fado Moliceiro, que tão bem retrata a região de Aveiro, onde nasceu a minha avó na cidade da Murtosa, em 1930.

A partir de hoje o disco "Um Homem no País" está disponível na barra do lado direito deste blogue, com todas as músicas que tão bem retratam cada região.

Fado Moliceiro
Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: Carlos Paredes


Silêncio que se vai cantar a ria...

domingo, 15 de novembro de 2009

Retalhos da Vida de um Médico

Numa altura em que não estou com as melhores faculdades físicas, devido a problemas de saúde, lembrei-me de partilhar convosco este poema, dedicando-o a todos os médicos que nos ajudam a melhorar e a sorrir, mesmo que, por vezes, não seja possível.

Poema de José Carlos Ary dos Santos com música de Tozé Brito, foi tema de uma série televisiva com o mesmo nome no início da década de 80, sendo cantado pelo Carlos do Carmo.

Serras, veredas, atalhos,
Estradas e fragas de vento,
Onde se encontram retalhos
De vidas em sofrimento

Retalhos fundos nos rostos,
Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,
Retalha as caras fechadas

O caminho que seguiste,
Entre gente pobre e rude,
Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde

Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão


As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São lágrimas que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste


E depois de tanto mundo,
Retalhado de verdade,
Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade

Da que não vem na sebenta,
Daquela que não se ensina,
Da pobreza que afugenta
Os barões da medicina

Tu sabes quanto fizeste,
A miséria não segura,
Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Recordando Ary dos Santos

No passado dia 16 de Outubro voltei a cantar Ary dos Santos, desta vez na Sociedade Filarmónica Operária Amorense, numa sala cheia para recordarmos o poeta e a música portuguesa.
Muito Obrigado ao público por assistirem e pelo apoio e aos músicos que estiveram fantásticos!
Agradeço também àqueles que menciono abaixo, porque tornaram o espectáculo mais rico.

Muito obrigado!

Ficha Técnica:
Intérpretes: Mário Barradas e Andreia Graça
Coro: Margarida Calqueiro e Márcia Poupinha
Flauta transversal: Matilde Albuquerque
Clarinete: Gonçalo Freitas
Saxofone soprano: Vitor Meireles
Saxofone alto: Ricardo Toscano
Saxofone tenor: Ricardo Rodrigues
Saxofone barítono: Vânia Martins
Trompete/fliscorne: Pedro Azevedo
Trombone: André Pedro
Tuba: João Chaveiro
Guitarra clássica: Ricardo Mendes
Piano: Alexandre Pita
Bateria: Rui Ramalho
Acessórios: Eduardo Relvas e Simão Santos
Orquestrações: Mário Barradas, Jorge Costa Pinto, Carlos Cardoso e Francisco Santos
Letras: José Carlos Ary dos Santos
Cabeleireiro: Graciete Dias
Guarda-roupa: Lurdes França e Mónica Nunes
Cenário: Joana Perdigão e Hugo Cruz
Fotografia: Paulo Jorge
Organização e apoio: Junta de Freguesia de Amora, Câmara Municipal do Seixal, Junta de Freguesia do Seixal, Sociedade Filarmónica Operária Amorense, Escola Básica 2/3 de Nun´Álvares, Projecto Comenius, Jornal Notícias do Seixal, Jornal Comércio do Seixal Rádio Baía e RDS.

sábado, 18 de outubro de 2008

Estrela da Tarde

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo mordia.
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia.
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça
E o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria
Ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza!

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça
E o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria
Ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza!

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!


Poema de José Carlos Ary dos Santos
Música de Fernando Tordo
Intérprete: Carlos do Carmo
Dedicado à minha amiga Matilde