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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Simone Recebe Globo de Mérito e Excelência


A cantora e actriz Simone de Oliveira venceu esta noite o prémio Mérito e Excelência na XVI edição dos Globos de Ouro, uma iniciativa da SIC e da Caras.

Simone de Oliveira recebeu emocionada o principal galardão da noite pelas mãos de Francisco Pinto Balsemão, que não poupou elogios à homenageada.

"Só três vezes é que atribuímos este prémio a uma mulher, mas este ano ganha uma mulher de armas, que se envolve em grandes causas, uma pessoa com espírito combativo e com um grande trabalho ao serviço do mundo da cultura e do espetáculo", sublinhou Francisco Balsemão, presidente do grupo Impresa.

A cantora da "Desfolhada" dedicou o prémio a toda a família e agradeceu ao público em geral.

"Chegar aqui foi porque a vida me deixou. Agradeço aos poetas, músicos, iluminadores, ao meu querido Parque Mayer e a todas as pessoas que me deixaram chegar aqui. A todos os velhos artistas com quem trabalhei e aos mais novos com quem tenho trabalhado. Com todos aprendi. O meu obrigado e até sempre", disse Simone de Oliveira.

in Jornal Expresso

domingo, 15 de novembro de 2009

Retalhos da Vida de um Médico

Numa altura em que não estou com as melhores faculdades físicas, devido a problemas de saúde, lembrei-me de partilhar convosco este poema, dedicando-o a todos os médicos que nos ajudam a melhorar e a sorrir, mesmo que, por vezes, não seja possível.

Poema de José Carlos Ary dos Santos com música de Tozé Brito, foi tema de uma série televisiva com o mesmo nome no início da década de 80, sendo cantado pelo Carlos do Carmo.

Serras, veredas, atalhos,
Estradas e fragas de vento,
Onde se encontram retalhos
De vidas em sofrimento

Retalhos fundos nos rostos,
Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,
Retalha as caras fechadas

O caminho que seguiste,
Entre gente pobre e rude,
Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde

Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão


As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São lágrimas que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste


E depois de tanto mundo,
Retalhado de verdade,
Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade

Da que não vem na sebenta,
Daquela que não se ensina,
Da pobreza que afugenta
Os barões da medicina

Tu sabes quanto fizeste,
A miséria não segura,
Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Há Dias Difíceis

Foi numa noite de vento e de chuva, que eu cheguei a casa e, como quase sempre, descalcei-me e fui em direcção ao quarto. Despi a raiva, a crueldade, a antipatia e a indiferênca que tinha vestido nesse mesmo dia de manhã.
Voltei a ser eu: o rapaz bem-disposto que conhece inúmeras pessoas e que tem alguns amigos. Sim, alguns. Como perguntou uma vez a Catarina, "quantas pessoas te ajudavam se precisasses? Os teus amigos, apenas eles!", tudo o resto são conhecidos.
Mas não escrevo isto porque estou chateado com alguém... Alguém ja não me chateia. Escrevo isto porque ando cansado: cansado de andar de um lado para o outro, cansado d'algumas pessoas, cansado de estar cansado.
Não tenho tempo nem pra pentear os cabelos de paciência que tenho! Nem tão pouco alguns brancos que já me aparecem com apenas duas décadas de vida...

Há pessoas que me dão paz de alma por serem tão pacíficas... "Gostava de ter um feitio daqueles!", disse uma vez quando vi o presidente da junta da minha cidade no meio de contratempos comuns a quem é autarca. Mas eu sou muito directo, sempre fui, pois nas minhas veias corre sangue quente (e jovem), e quando não gosto dalguma coisa digo logo, assim como sempre que tenho uma ideia sobre algo ou alguém, salta-me boca fora, como uma tainha na baía...
Vivi pouco, pois tenho ainda muito que viver e aprender. Aprendo como são as pessoas. De dia para dia vou aprendendo e apreendendo conhecidos que outrora nem dava atenção e hoje são importantes, assim como vou pondo para trás das costas pessoas que já me foram importantes e que agora só fazem erros e criam desunião entre amigos.

Não gosto de escrever, como também não gosto de marisco, mas aprendi a gostar e, hoje só consigo desabafar assim.
Aprendi com os meus amigos, pois esses nunca hei-de pôr para trás das costas. Eles sabem-no.