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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Simone Recebe Globo de Mérito e Excelência


A cantora e actriz Simone de Oliveira venceu esta noite o prémio Mérito e Excelência na XVI edição dos Globos de Ouro, uma iniciativa da SIC e da Caras.

Simone de Oliveira recebeu emocionada o principal galardão da noite pelas mãos de Francisco Pinto Balsemão, que não poupou elogios à homenageada.

"Só três vezes é que atribuímos este prémio a uma mulher, mas este ano ganha uma mulher de armas, que se envolve em grandes causas, uma pessoa com espírito combativo e com um grande trabalho ao serviço do mundo da cultura e do espetáculo", sublinhou Francisco Balsemão, presidente do grupo Impresa.

A cantora da "Desfolhada" dedicou o prémio a toda a família e agradeceu ao público em geral.

"Chegar aqui foi porque a vida me deixou. Agradeço aos poetas, músicos, iluminadores, ao meu querido Parque Mayer e a todas as pessoas que me deixaram chegar aqui. A todos os velhos artistas com quem trabalhei e aos mais novos com quem tenho trabalhado. Com todos aprendi. O meu obrigado e até sempre", disse Simone de Oliveira.

in Jornal Expresso

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A Desfolhada da Hermínia Silva



Hermínia Silva nasceu em 1907, cinco anos depois de Ercília Costa, a primeira fadista que saiu das fronteiras de Portugal. Cedo se tornou presença notada nos retiros de Lisboa, que não hesitaram em contratá-la, pela originalidade com que cantava o Fado. A Canção dos Bairros de Lisboa estava-lhe nas veias, não fôra ela nascida, ali mesmo junto ao Castelo de São Jorge. As "histórias" dos amores da Severa com o Conde de Vimioso estavam ainda frescas na memória do povo.
Para além de fadista foi também actriz e teve uma casa de fados no Bairro Alto denominada "O Solar da Hermínia".

Nesta versão da "Desfolhada Portuguesa" popularizada pela Simone de Oliveira, apenas a música de Nuno Nazareth Fernandes permaneceu, dando os versos de Ary dos Santos lugar aos de Eduardo Damas.
Esta "Desfolhada da Hermínia" critica o facto da canção interpretada pela Simone ter sido uma das mais belas de sempre e ser tão mal classificada na Eurovisão de 1969, no Teatro Real de Madrid.
Hermínia critica o fraco gosto das canções vencedoras e as "politiquíces" que ainda hoje envolvem o Festival assim como os portugueses.
Hermínia Silva alcançou um estatuto perante a ditadura que a permitia dizer quase tudo, pois a ignorância no Estado Novo era uma das virtudes.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Adeus Sr. Maestro

Joaquim Luís Gomes nasceu em 1914 em Santarém.
Aos 18 anos entrou para o Batalhão de Caçadores 5, onde tocava clarinete e onde esteve durante oito anos.
Também trabalhou na Emissora Nacional. Compôs e orquestrou canções como "Desprendimento", "Olhos Verdes" ou "Nostalgia". Foi o orquestrador da mais famosa canção de sempre do Festival RTP, a "Desfolhada Portuguesa".
Trabalhou com artistas como Amália Rodrigues, Tony de Matos, Fernando Tordo, Carlos do Carmos, Simone de Oliveira, entre outros.

Escreveu obras para orquestra sinfónica, harpa e piano, com destaque para "Pérolas Soltas", "Abertura Scalabitana", "Abidis", "Sonata em Mi Bemol" (para piano) e "Mar Português".
Foi ainda autor das bandas sonoras dos filmes "Passagem de Nível" ou "Justiça dos Céus".
Em 1995 e 2005 foi homenageado pela Sociedade Portuguesa de Autores que o considerou "uma das figuras mais marcantes da música portuguesa no século XX".
O maestro Joaquim Luís Gomes faleceu no dia 23 de Julho de 2009. O funeral realizou-se no dia 29 de Julho de 2009 na igreja de Campo de Ourique para o Cemitério de Benfica.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

"Mário Barradas canta Ary dos Santos"

As Festas Populares de São Pedro do Seixal contaram com uma actuação minha...
Gostei muito de cantar e gostei muito do público que me assistiu, pelo que vale a pena repetir canções como a "Tourada", a "Desfolhada Portuguesa", a "Lisboa Menina e Moça" ou o "Tango Ribeirinho".

Assim sendo, agradeço a todos o apoio prestado.
Muito Obrigado!





Ficha Técnica:
Intérprete: Mário Barradas
Coro: Margarida Calqueiro e Márcia Poupinha
Flauta transversal: Matilde Albuquerque
Clarinete: Gonçalo Freitas
Saxofones soprano/alto/tenor: Vitor Meireles
Saxofone barítono: Vânia Martins
Trompete/fliscorne: Pedro Azevedo
Guitarra clássica: Ricardo Mendes
Piano: Ana Lagarto
Bateria: Rui Ramalho
Acessórios: Eduardo Relvas
Orquestrações: Mário Barradas, Jorge Costa Pinto, Carlos Cardoso e Francisco Santos
Letras: José Carlos Ary dos Santos e Vítor Perdigão
Cabeleireiro: Graciete Dias
Guarda-roupa: Maria Manuela e Lurdes França
Cenário: Joana Perdigão
Organização e apoio: Junta de Freguesia do Seixal, Câmara Municipal do Seixal, Sociedade Filarmónica Operária Amorense, Sociedade Filarmónica União Seixalense e Sociedade Filarmónica Democrática Timbre Seixalense.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Quem faz um filho, fá-lo por gosto

No dia 21 de Março cantei a "Desfolhada Portuguesa" no auditório municipal do Forum Cultural do Seixal.
Como uma imagem vale mais que mil palavras, aqui ficam as imagens que obtive.

Muito obrigado a todos!








domingo, 15 de março de 2009

Há 40 Anos a Desfolhar

Foi em Março de 1969 que Madrid viu chegar Simone de Oliveira ao seu Teatro Real para interpretar a "Desfolhada Portuguesa", que a então Espanha de Franco, cujo titulo português não gostou, traduziu-a imediatamente para "Deshojada".
Teve um percurso sinuoso e, ainda hoje é vista como uma canção interventiva fortíssima.
Não poderia deixar de assinalar o 40º aniversário da canção de Nuno Nazareth Fernandes, com orquestração do maestro Joaquim Luís Gomes e poema de José Carlos Ary dos Santos, que se vivesse, certamente perceberia o quão actualizada está a "Desfolhada".

No próximo sábado à tarde, dia 21 de Março, interpretarei a "Desfolhada Portuguesa" no Auditório Municipal do Forum Cultural do Seixal, local onde Simone de Oliveira assinalou os 40 anos de carreira, gravando ao vivo um duplo CD/DVD a que chamou de "Intimidades".

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Avé Maria do Povo

Avé, Avé Maria,
mulher de um carpinteiro
e mãe do homem novo,
Senhor do mundo inteiro.
Avé mulher do povo,
Maria camponesa
que trazes sangue novo
ao corpo da tristeza.

Ouve esta nossa voz,
nós rogamos por nós,
por nós que estamos sós
e quase abandonados.

Senhora da má sorte
sem culpa concebida,
nós não pedimos a morte,
nós só pedimos a vida.

Ouve esta nossa voz,
nós rogamos por nós,
por nós que estamos sós
e mal-aventurados.

Senhora da ternura,
Senhora da alegria,
teu fruto está maduro.
É quase um novo dia,

Natal, Natal.

Poema de José Carlos Ary dos Santos.
Interpretado por Simone de Oliveira e gravado no lado B do viníl da "Desfolhada Portuguesa", em 1969.
Imagem: Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição - Seixal.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Autobiografia

Hoje falar-vos-ei um pouco de mim.
Conhecerão o que fiz ao longo destes meus quase 23 anos de idade, nesta minha autobiografia.

Nasci a 1 de Janeiro de 1986 em São Sebastião da Pedreira - Lisboa, tendo adoptado como minha terra o Seixal.
Iniciei os estudos musicais aos 12 anos na Sociedade Filarmónica União Seixalense, vulgo “Os Prussianos”, com Cláudia Cunha e Marco Rosa.
Aos 13 anos ingressei na banda como executante de trompete e aprofundo os meus estudos na Academia de Música e Belas Artes Luísa Tódi e no Conservatório Regional de Setúbal, onde frequentei o curso oficial de trompete.
Na minha formação descacam-se os professores: Maestro José Augusto Carneiro, a Maestrina Filipa Palhares, Raul Avelãs, António Laertes, Maria do Céu Santos, Bárbara Villalobos e Carlos Marques.

Em 2005 participei no Concurso Internacional “Flicorno D’Oro” em Riva del Garda - Itália tendo obtido o 3º lugar com a Banda Filarmónica da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 de Alcochete. No mesmo ano recebi a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Alcochete, conferida pelo Sr. Presidente da Câmara José Dias Inocêncio.
Participei com a mesma banda no Concurso Internacional de Bandas de Vila Franca de Xira, onde obtive os primeiros lugares na 1ª Categoria e na Categoria Banda Taurina.

Como convidado, toco em várias bandas filarmónicas do país e já fui membro da Orquestra Ligeira e do Coro de Câmara do Conservatório Regional de Setúbal.
Gravei três CD’s, sendo o mais importante para mim o “Marés”, gravado com a banda da S.F. União Seixalense em 2005, onde sou solista no trio para trompetes “Bugler’s Holiday”, de Leroy Anderson.

Leccionei Educação Musical na Escola Básica do 1º Ciclo dos Foros de Amora.
Actualmente estudo na Escola de Música do Conservatório Nacional, em Lisboa, no curso de canto, tendo como professora da disciplina Filomena Amaro.
No Conservatório Nacional estudo ainda Análise e Técnicas de Composição (com Carlos Gomes), Formação Musical (com Cláudia Casquilho), Acústica e História da Música (com Helena Lima), Coro (com Tiago Marques) , Piano (com Cristina Cardoso), Alemão (com Barbara Schilling Tengarrinha) e Italiano (com Marcello Sacco).

Como em iniciação à composição de obras, fiz orquestrações de várias músicas, destacando-se a "Desfolhada Portuguesa" para orquestra e guitarra, de Nuno Nazareth Fernandes com letra do José Carlos Ary dos Santos. Sou autor de algumas Marchas Populares do Seixal, cuja letra é do Vitor Perdigão, fui membro fundador do Grupo Musical de Animação de Rua "Algazarra & Companhia" e fui músico na Grande Marcha de Alcântara.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Desfolhada Portuguesa

Cantada por Simone de Oliveira, a Desfolhada Portuguesa venceu o Festival RTP da Canção de 1969, apresentado por Lurdes Norberto.
A música é da autoria de Nuno da Nazareth Fernandes com orquestração de Ferrer Trindade e a letra de José Carlos Ary dos Santos.

Desfolhada Portuguesa

Corpo de linho, lábios de mosto
Meu corpo lindo, meu fogo posto
Eira de milho, luar de Agosto
Quem faz um filho fá-lo por gosto

É milho-rei, milho vermelho
Cravo de carne, bago de amor
Filho de um rei que sendo velho
Volta a nascer quando há calor

Minha palavra dita à luz do sol nascente
Meu madrigal de madrugada
Amor, amor, amor, amor, amor presente
Em cada espiga desfolhada

Lalalala lalalala lala lalala...
Lala lala lalalala...
Lalalala lalalala lala lalala...
Lalalala lala lala...

Minha raiz de pinho verde
Meu céu azul tocando a serra
Ó, minha mágoa e minha sede
Ao mar, ao sul da minha terra

É trigo loiro, é além Tejo
O meu país neste momento
O sol, o queima, o vento, o beija
Seara louca em movimento

Minha palavra dita à luz do sol nascente
Meu madrigal de madrugada
Amor, amor, amor, amor, amor presente
Em cada espiga desfolhada

Lalalala lalalala lala lalala...
Lala lalala lalalala...
Lalalala lalalala lala lalala...
Lalalala lala lala...

Olhos de amêndoa, cisterna escura
Onde se alpendra a desventura
Moira escondida, moira encantada
Lenda perdida, lenda encontrada

Ó, minha terra, minha aventura
Casca de noz desamparada
Ó, minha terra, minha lonjura
Por mim perdida, por mim achada

Lalai lala lalai lala lalala lai la...
Lala lalai la lalai lala...
Lalai lala lalai lala lalala lai la...
Lalalalai... lai lai lai lai...

Desfolhada Portuguesa (Inglês)
Portuguese Husking

Body of linen, lips of must
My lovely body, my burning fire
Threshing-floor, August moonlight
Who conceives a child, does it for pleasure

It's red maize, red coloured maize
Flesh wart, grain of love
Son of a king that, being old
Grows back when times are warm

My word spoken at the rising sun's light
My dawning madrigal
Love, love, love, love, present love
In every husked corncob

Lalalala lalalala lala lalala...
Lala lala lalalala...
Lalalala lalalala lala lalala...
Lalalala lala lala...

My green pine root
My blue sky touching the ridge
Oh, my sorrow and my thirstiness
To the sea, south of my homeland

It's blond maize, it's beyond Tagus
My country at this moment
The sun burns it, the wind kisses it
Extatic corn-field in motion

My word spoken at the rising sun's light
My dawning madrigal
Love, love, love, love, present love
In every husked corncob

Lalalala lalalala lala lalala...
Lala lalala lalalala...
Lalalala lalalala lala lalala...
Lalalala lala lala...

Almond eyes, obscure well
Where my misfortune is protected
Hidden moor, enchanted moor
Forfeited legend, found legend

Oh, my homeland, my adventure
Helpless nutshell
Oh, my homeland, my remoteness
By myself lost, by myself found

Lalai lala lalai lala lalala lai la...
Lala lalai la lalai lala...
Lalai lala lalai lala lalala lai la...
Lalalalai... lai lai lai lai...

Desfolhada Portuguesa (Castelhano)
Deshojada


Cuerpo de junco, labios de grana, cuerpo que quema como la llama
Una elegida ha crecido, nacer un hijo, amor cumplido
Trabajo miel, grano maduro, blanco clavel, hoja de amor
Hijo de un rey que siendo viejo vuelva a nacer con mi calor

En mi palbra que a la luz del sol naciente, es madrigal de madrugada
Amor, amor, amor, amor, amor presente en cada espiga deshojada

(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la... la la la la...)
(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la la la la...)

¡Ay!, mi raíz de pino verde, mi cielo azul junto a mi sierra
¡Ay! pena mía, mi seda ardiente, ¡ay!, mar azul, mar de mi tierra
Espiga rubia junto al Tajo, en mi país - feliz momento
El sol lo peina, lo mece el viento, es trigo loco en movimento

En mi palbra que a la luz de sol naciente, es madrigal de madrugada
Amor, amor, amor, amor, amor presente en cada espiga deshojada

(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la... la la la la...)
(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la la la la...)

Ojos de almendra, caverna oscura donde se esconde la desventura
Mora escondida, mora encantada, por mí perdida, por mí encontrada
Y por la tierra de tu amada, barco de miel desamparada
Y por la tierra, tierra adorada, por mí perdida, por mí encontrada

La la la la la la la la la la la la la...
La la la la la... la la la la...
La la la la la la la la la la la la la...
La la la la la la la la...

Desfolhada Portuguesa (Francês)
Terre Guitare


Cœur de lumière, levres de soif, un cœur de fièvre, un feu de joie
À la nuit où tu encoules le champ pour mettre en route un tas d'enfants
Vers le maïs l'amour est blanc, dans mon pays l'amour est rouge
Fruits des amants et des moissons de nos deux corps quand le sang brûle

Mon bel amour, mon tendre amour, soleil et sang, tendres paroles dites au matin
Amour, amour, amour, amour, amour présent, terre guitare, voix de raisin

(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la... la la la la...)
(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la la la la...)

La mer au sud de mon pays saigne de sang des découvertes
Oh... ma douleur et mon soucis, aux heures de joie jamais ouvertes
C'est du blé chaud, du blé du Tage, mon beau pays, rose des vents
C'est l'heure d'orages, l'heure des poètes, oh... mon passé et mon présent

Mon bel amour, mon tendre amour, soleil et sang, tendres paroles dites au matin
Amour, amour, amour, amour, amour présent, terre guitare, voix de raisin

(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la... la la la la...)
(La la la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la la la la...)

Terre guitare aux yeux d'amande où le malheur est presque tendre
Terre assoiffée, terre brûlante, emprisonnée dans sa légende
Oh mon pays, mon madrigal, mon horizon de femmes brunes
Oh mon pays, mon Portugal, oh... ma splendeur au clair de lune

La la la lay la la la lay la lay la la la...
La lay la lay... la lay la lay...
La lay la la la lay la la la lay la lay la...
La lay la la la lay lay lay...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Simone de Oliveira

Admiro muito a Simone de Oliveira. Sendo a minha música preferida, a "Desfolhada Portuguesa" transmite uma força intemporal, que se mantem viva até hoje.

Um temperamento marcado, inequivocamente, pelo excesso de talento, de vontade e de querer. Excesso de expressão e de paixão. Dela poderá dizer-se o que de muito poucos se disse: é uma daquelas pessoas maiores do que a vida.

Iniciando bastante nova uma carreira de cantora, fatalmente marcada pelo Centro de Formação dos Artistas da Rádio de Motta Pereira, Simone vai revelar, ainda rapariga, uma intensidade interpretativa que imediatamente a distinguiu das restantes vozes femininas da época.

O seu repertório de cançonetista não fugirá, nesses primeiros anos de carreira, aos estereótipos criativos dos compositores consagrados da época. Desses tempos iniciais guardam-se vivas memórias de prémios e consagrações sucessivos, e de uma mediática rivalidade (tão real quanto encenada) com Madalena Iglésias.

Mas Simone, a inquieta Simone, quererá sempre mais da sua arte. Por sua iniciativa (e pela iniciativa dos que nela viram a intérprete de excepção) vai procurar cada vez melhores compositores e letristas.

Aproximou-se, assim, dos grandes nomes que despontavam, numa clara linha de oposição ao Regime. Com Desfolhada, de José Carlos Ary dos Santos e Nuno da Nazareth Fernandes, Simone fará história: história da música popular urbana, é claro. Mas, também, a história das mentalidades.

Como nos arquétipos clássicos, o excesso conduziu à tragédia. Simone fica sem voz. Mas, tal como a Fénix, renascerá com uma voz nova, mais profunda. Com ela vai partir à conquista de públicos renovados e ganhará desafios só ao alcance dos eleitos .
Marcos principais da carreira:

1957 - Entra no Centro de Preparação de Artistas da Rádio.

1958 - Primeiros espectáculos. Participa no I Festival da Canção Portuguesa, em Lisboa. Vencerá esta competição nos dois anos seguintes.
1962 - Estreia no teatro de revista. Vence o Festival da Canção da Figueira da Foz.

1965 - Vence o Grande Prémio RTP da Canção Portuguesa com "Sol de Inverno". É eleita Rainha da Rádio.

1969 - Volta a vencer o Festival da Canção com a canção mais marcante da sua carreira: "Desfolhada Portuguesa", de José Carlos Ary dos Santos e Nuno da Nazareth Fernandes. O tema ficará no imaginário colectivo.

1970 - Perde a voz, incidente que se prolongará por cerca de dois anos e virá a marcar profundamente a artista.

1977 - Já retomada a sua carreira, participa no espectáculo do Jubileu de sua majestade a rainha D. Isabel II de Inglaterra.

1984 - Comemora as bodas de prata da sua carreira com um programa televisivo: "Meu Nome é Simone".

1988 - "Piano Bar", na RTP.

1997 - Celebra na Aula Magna os seus 40 anos de carreira; Grava um CD/DVD ao vivo no Auditório do Forum Cultural do Seixal.

2007 - Celebra os 50 anos de carreira; Inicia gravações da novela "Vila Faia" para a RTP.
2008 - 70º aniversário, a 11 de Fevereiro; "Num País Chamado Simone"- espectáculo no Coliseu dos Recreios.

2009 - 40º aniversário da "Desfolhada Portuguesa".