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terça-feira, 3 de março de 2009

Município de Abril ou Primavera Marcelista?

Lastimo a ignorância que os serviços da Câmara Municipal do Seixal têm pelos munícipes, que mostram tal e qual a vulgaridade dos portugueses.
Explicar isto é relativamente básico. Imagine-se que o grupo de indivíduos A constrói algo bom para o património e desenvolvimento público e que, depois de reparar que a construção é util e interessante, o grupo de indivíduos B apodera-se dos bens e, aqueles que não conhecem a situação, ainda pensam que foi o grupo B que a proporcionou.

Foi isto mesmo que aconteceu. A antiga Comissão de Moradores do Bairro das Cavaquinhas construíu, com o esforço de todos, o actual parque infantil (embora com brinquedos melhores dos que hoje por lá estão), construíu o jardim e fez duas placas para que ficássem para a posteridade no jardim. Uma diz "Parque infantil. O futuro é nosso.", uma frase que ficou célebre porque saíu da boca de uma menina chamada Rosarinho (que hoje tem a idade da minha mãe) e uma segunda placa memorial com um poema lindíssimo à Revolução dos Cravos.
A minha indignação surje com a seguinte questão: onde está a placa memorial com um poema alusivo ao 25 de Abril de 1974 que dois indivíduos, funcionários da CMS ou Junta da Arrentela retiraram no início deste ano do jardim das Cavaquinhas?
Acho engraçado certas coisas que acontecem neste Seixal, continuo a achar mais graça ainda que o Município de Abril despreze o seu património. A dita placa, da qual tenho fotografias desde miúdo, foi colocada pelos moradores, assim como um lago de peixes outrora existente nesse mesmo jardim (também retirado pela autarquia), tal como ao belíssimo jardim que deixou de ter flores para ser um relvado sem pompa nem circunstância ou também, como os brinquedos do parque infantil que foram oferecidos pela fábrica A. Silva & Silva, onde foram contruidos com o suor de moradores deste bairro, assim como a construção do próprio parque.
No pós 25 de Abril, também existiu um eléctrico que servia de biblioteca popular das Cavaquinhas.
Incrível! Tudo isto desapareceu: hoje não há lago de peixes, não há eléctrico, não há brinquedos decentes no parque (e os que lá estão até precisam de ser reparados) e, a cereja no topo do bolo foi a da retirada da placa memorial do 25 de Abril.
Vergonhoso! Não há respeito por ninguém. Modernidade não é sinónimo de ignorância nem do desprezo que o peixe-espada preto nos aufere!

Espero que a autarquia se lembre de olhar para este jardim e parque infantil cuja localização é mesmo de fronte da escola secundária onde existe mesas de voto aquando das eleições.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Lisboa de Fronte Não Sabe Quem És

Já dizia o poeta: "Seixos, conchas, praias, moinhos, marés / Lisboa de fronte não sabe quem és", com toda a razão!
A terra que me adoptou como seu gentílico sempre andou esquecida no tempo e no espaço, embora com avanços significatívos nalgumas áreas, a Praia de Seixos poderia ser melhor, maior e bela.

Assim sendo, que mais posso fazer senão comentar e sugerir? Espero que alguém de direito leia o que escrevo e siga algumas ideias minhas!

A Rua Paiva Coelho tem árvores de fruta de uma ponta à outra, mas existem ameixoeiras que poderiam ser substituidas por laranjeiras ou oliveiras, pois o chão está sempre imundo debaixo destas; na mesma rua existem caldeiras sem árvores (que mais parecem wc caninos); o jardim da Praça dos Mártires da Liberdade tem um lago de cisnes, mas sem cisnes; neste jardim também faziam falta umas mesas com bancos pois não existem em nenhuma parte da freguesia; o que faz o monumento à Muleta do Seixal na rotunda da Rua da Cordoaria na Cruz de Pau? Que eu saiba, apesar de estar no brasão municipal, a muleta sempre foi do Seixal - freguesia; porque nos esquecemos daquela que tornou o Seixal independente e deu-lhe território e notoriedade - a rainha Dona Maria II? Poderia haver um monumento (mesmo que simbólico) à fundadora do concelho; também é incompriensível que o jardim da Quinta dos Franceses não tenha iluminação, assim como todos os cais e pontões que são escuríssimos à noite; continuando junto ao rio, também é de reparar que este tem vindo a ganhar terreno no Largo dos Restauradores e que os postes de electricidade estão quase de molho quando a maré está em preia-mar.

Também posso perguntar uma pequena curiosidade: porque é que o Beco da Sociedade Timbre Seixalense continua a chamar-se Rua da Sociedade Timbre Seixalense? Que eu saiba, uma rua é uma elo de ligação por onde se pode circular, e esta rua deixou de o ser quando construiram a sede da colectividade com o mesmo nome em cima da rua!

A ver se o Seixal melhora, para que um dia gritemos todos juntos com o tal poeta: "A água é tão boa e o ar tão perfumado / Não gosto de Lisboa, perfiro este lado".