domingo, 5 de fevereiro de 2012

Fado Moliceiro


Na continuação do disco "Um Homem na Cidade", Carlos do Carmo e Ary dos Santos juntaram-se a vários músicos e criaram "Um Homem no País".
Deste último, recordo o Fado Moliceiro, que tão bem retrata a região de Aveiro, onde nasceu a minha avó na cidade da Murtosa, em 1930.

A partir de hoje o disco "Um Homem no País" está disponível na barra do lado direito deste blogue, com todas as músicas que tão bem retratam cada região.

Fado Moliceiro
Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: Carlos Paredes


Silêncio que se vai cantar a ria...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Calçada de Carriche

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,

sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu da sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada;
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Rómulo de Carvalho, vulgo António Gedeão
in Poesias Completas (1956-1967)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Tony Carreira: Plágio ou Calúnia?

Veja o vídeo e tire as suas próprias conclusões!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Música Ficou Mais Pobre



Partiu hoje o maestro, compositor e cantor Pedro Osório, ficando o panorama musical português mais pobre.
Neste vídeo recordo uma das participações dele no Festival RTP da Canção.
Até Sempre.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Próspero Ano Novo

Nos dias que correm, temos de nos esforçar para pagar quase tudo, sob justificação duma crise inventada por quem menos a sente.
Às vezes penso na ironia de certa gente que diz que "temos de ajudar o próximo"!

Só espero que 2012 seja mais justo para todos, pois neste cantinho à beira-mar plantado ainda há esperança... E sempre me disseram que a esperança é a última a morrer.

Feliz 2012!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Condução Defensiva



Porque mais vale prevenir do que remediar, conduza sempre com segurança e, se for peão, não facilite.
Afinal, mais vale perder um minuto na vida do que a vida num minuto!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Fado

Não resisto em partilhar convosco este belo poema e respetiva imagem, publicado pelo genial Mário Raínho aquando da elevação do Fado a Património Imaterial da Humanidade.

FADO PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE

Está o fado, em pandemónio,
Elevado a património,
Estatuto que nos é terno...
Mas temos que ter cuidado:
Que não vá vender, do fado,
Seu património, o governo!?

Como o país está à rasca
E nossa sorte é atípica...
Vão colectar cada tasca
E toda casa que é típica!!!

Se isso acontecer, sabemos
Vai dar grande sururú
E o governo corremos
Com um biqueiro no Cú!!!

Poema de Mário Raínho

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Cheira a Aldeia de Paio Pires

Canção do São Martinho 2011 para a EB1/JI Aldeia de Paio Pires

A escola tem cheirinho a outono
Das árvores, as folhas vão caindo
O verde dá lugar ao castanho
E todos vão para a escola sorrindo

Sabem que o fogareiro já fumega
E a seu lado está uma saca de castanhas
A partilha faz o gosto do colega
Salta a castanha, vamos ver quem a apanha

Refrão
Uma castanha a saltar na braseira
Cheira bem, é da Aldeia
Tiro a casca e ela sai toda inteira
Cheira bem, é da Aldeia
Está quentinha, faz bem o meu gosto
Saborosa põe-me bem-disposto
A castanha está na minha ideia
Vamos às castanhas aqui na Aldeia


Letra: Mário Barradas
Música: César de Oliveira
Agradecimento especial aos colegas docentes pela ajuda vocal.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lisboa, 1 de Novembro de 1755

O Terramoto de 1755 ou Terramoto de Lisboa, ocorreu no dia 1 de Novembro de 1755, resultando na destruição quase completa da cidade de Lisboa e atingindo ainda grande parte do litoral do Algarve. O sismo foi seguido de um tsunami - que se crê tenha atingido a altura de 20 metros - e de múltiplos incêndios, tendo feito certamente mais de 10 mil mortos.

Atingiu várias localidades, sendo Lisboa, Almada, Seixal e Vila Real de Santo António as mais atingidas. Hoje, ainda se festejam milagres acontecidos nesse dia, realizando-se procissões em Arrentela (Seixal) e em Cacilhas (Almada).

Imagem: Lisboa após o terramoto de 1755.

Foi um dos sismos mais mortíferos da história mundial, marcando o que alguns historiadores chamam a pré-história da Europa Moderna. Os geólogos modernos estimam que o sismo de 1755 atingiu a magnitude 9 na Escala de Richter.

O terramoto de Lisboa teve um enorme impacto político e sócio-económico na sociedade portuguesa do século XVIII, dando origem aos primeiros estudos científicos do efeito de um sismo numa área alargada, marcando assim o nascimento da moderna sismologia.

Imagem: Propagação das ondas do maremoto/tsunami com escala horária.

Lisboa foi, a par de Vila Real de Santo António, reconstruida sob alçada de Sebastião José de Carvalho e Melo - Marquês de Pombal, com uma inovadora gaiola pombalina a suster os edifícios e com o lema "enterrar os mortos e cuidar dos vivos".

No ano seguinte, no dia do primeiro aniversário do terramoto e devido à fome e pobreza, iniciou-se uma tradição hoje esquecida: o pão por Deus, onde as crianças pediam comida às portas em troca de uns versos ou duma cantiga.

Imagem: Gaiola Pombalina idealizada pelo Marquês de Pombal e que se encontra no interior das paredes dos edifícios da baixa da capital.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A República

Trailer dum filme sobre a nossa história, que representa bem o que aconteceu no dia 5 de Outubro de 1910.
Viva a república! Viva Portugal!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Fado é Fixe



Vasco Rafael canta O Fado é Fixe da autoria do Carlos Paião, com um pouco de humor à mistura...
Saudades para ambos, que nos deixaram cedo demais.

domingo, 7 de agosto de 2011

Mafalda Arnauth - Saudades da Júlia Mendes

O fado tem conhecido novos rostos que lhe trazem novas sonoridades e novos timbres.
Hoje destaco a Mafalda Arnauth, que tem uma forma muito querida de interpretar aquilo que canta. Saudades da Júlia Mendes é o tema deste vídeo dedicado à minha mãe que hoje festeja o seu quadragésimo-sexto aniversário pois, apesar de não se chamar Júlia, no nome dela apenas se alteram as consoantes.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Porque a verdade tem de ser lembrada...


José Carlos Ary dos Santos declama "Muitos Homens na Prisão"

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Ó Seixal à Beira-Tejo

Pelo cais da alvorada
Nasceu o sol da vida
Que em cada despedida
Viu fragatas a partir.

Para além de alegre encanto
Tem na pesca o sustento,
No barrete o sentimento:
O seixaleiro faz sorrir.

Nos estaleiros navais,
Carpinteiros de machado
Trabalhavam lado a lado
Calafates tradicionais.

Outrora daqui saíram
Os maiores navegadores,
Construíram as caravelas
Foram os descobridores.

REFRÃO
Ó Seixal à beira-Tejo
Das muletas do brasão
A enxó e o macete
Cruzam o teu coração

E da ostra portuguesa
Dos moinhos de maré
Foram a nossa riqueza
O Seixal foi como é!

Nas tuas redes douradas
Trazes seixos de saudade,
Tens conchas ancoradas
Às garças da liberdade.

As faluas e os varinos
Na baía dão um beijo
Da muralha vês Lisboa
Ó Seixal à beira-Tejo.


Poema de Mário Barradas
Marcha Popular de São Pedro das Associações de Reformados do Concelho do Seixal 2011Imagem: Curva da Igreja do Seixal nos anos 60 do século XX.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Festas Populares de São Pedro 2011

Começam hoje as Festas Populares de São Pedro do Seixal, cuja abertura pertence às marchas populares das escolas e jardins de infância do concelho.
O meu trabalho está presente em duas marchas: EB1 Quinta de São João e EB1/JI Aldeia de Paio Pires.
No dia 28 de Junho saem as marchas populares das escolas da cidade e as marchas das colectividades. Aí, terá a marcha das Associações de Reformados do Concelho do Seixal o meu contributo no poema que vão cantar.
No programa das Festas, destaco ainda a Revista à Portuguesa no dia 25, a Noite de Fados no dia 26 e as bandas da terra nos dias 27 e 29.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Eleições Legislativas 2011 - Distrito de Setúbal

O PS foi vencedor no distrito de Setúbal mas perde dois deputados e o PSD alcança segundo lugar no Distrito e conquista dois deputados. Por sua vez, o CDS/PP elege um segundo deputado, o BE perde um deputado e a CDU mantém os actuais quatro deputados.
No Distrito de Setúbal foram eleitos 17 deputados, com a seguinte distribuição: PS - 5 deputados; PSD - 5 deputados; PCP-PEV - 4 deputados; CDS-PP - 2 deputados e BE - 1 deputado.

Partido Socialista (PS)
1. José António Fonseca Vieira da Silva
2. Eduardo Arménio Nascimento Cabrita
3. Eurídice Maria de Sousa Pereira
4. José Duarte Piteira Rica Silvestre Cordeiro
5. Ana Catarina Veiga dos Santos Mendonça Mendes
Partido Social Democrata (PPD-PSD)
1. Maria Luís Casanova Morgado Dias de Albuquerque
2. Pedro do Ó Barradas de Oliveira Ramos
3. Bruno Jorge Viegas Vitorino
4. Maria das Mercês Gomes Borges da Silva Soares
5. Paulo Jorge Simões Ribeiro
Coligação Democrática Unitária (PCP-PEV)
1. Francisco José de Almeida Lopes
2. Paula Alexandra Sobral Guerreiro Santos Barbosa
3. Heloísa Augusta Baião de Brito Apolónia
4. Bruno Ramos Dias
Partido Popular (CDS-PP)
1. Nuno Miguel Miranda de Magalhães
2. João Paulo Barros Viegas
Bloco de Esquerda (BE)
1. Mariana Rosa Aiveca



Fonte: Rostos Online

Pode consultar os resultados do concelho do Seixal aqui: http://legislativas2011.mj.pt/territorio-nacional.html#none

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Simone Recebe Globo de Mérito e Excelência


A cantora e actriz Simone de Oliveira venceu esta noite o prémio Mérito e Excelência na XVI edição dos Globos de Ouro, uma iniciativa da SIC e da Caras.

Simone de Oliveira recebeu emocionada o principal galardão da noite pelas mãos de Francisco Pinto Balsemão, que não poupou elogios à homenageada.

"Só três vezes é que atribuímos este prémio a uma mulher, mas este ano ganha uma mulher de armas, que se envolve em grandes causas, uma pessoa com espírito combativo e com um grande trabalho ao serviço do mundo da cultura e do espetáculo", sublinhou Francisco Balsemão, presidente do grupo Impresa.

A cantora da "Desfolhada" dedicou o prémio a toda a família e agradeceu ao público em geral.

"Chegar aqui foi porque a vida me deixou. Agradeço aos poetas, músicos, iluminadores, ao meu querido Parque Mayer e a todas as pessoas que me deixaram chegar aqui. A todos os velhos artistas com quem trabalhei e aos mais novos com quem tenho trabalhado. Com todos aprendi. O meu obrigado e até sempre", disse Simone de Oliveira.

in Jornal Expresso

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Adeus

Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou, se preferes, a minha boca nos teus olhos
carregada de flor e dos teus dedos;

Como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve - e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.

Como se a noite viesse e te levasse,
era só fome o que eu sentia;
Digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde o teu corpo principia.

Como se houvesse nuvens sobre nuvens
e sobre as nuvens o mar perfeito,
ou, se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pérolas Académicas

Ontem, numa reunião da direcção da Escola Superior de Educação, uma das professoras directoras mencionou uma frase curiosa:
"Há professores que são autênticas nódoas no panorama académico"


De facto, senhora professora, é verdade!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Democracia Moribunda

Agora que estamos sem governo
Agora que tudo isto está uma confusão
Agora que estamos dependentes dos outros
Agora que ficamos a água e pão,

Pergunto para quê novas eleições?

A 3ª República apodreceu tristemente após 35 anos de liberdade. Qualquer um que vá para o poleiro não vai melhorar, não vai corrigir, não vai solucionar e não vai resistir.

Que haja uma reviravolta naqueles que nos governam, que haja uma limpeza geral para que continuemos a acreditar na democracia, mesmo sabendo que eles são eleitos por nós e que nos representam.

Mas chega! Estou cansado da ditadura presente na democracia!