Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou, se preferes, a minha boca nos teus olhos
carregada de flor e dos teus dedos;
Como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve - e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.
Como se a noite viesse e te levasse,
era só fome o que eu sentia;
Digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde o teu corpo principia.
Como se houvesse nuvens sobre nuvens
e sobre as nuvens o mar perfeito,
ou, se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.
Eugénio de Andrade
sexta-feira, 6 de maio de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Pérolas Académicas
Ontem, numa reunião da direcção da Escola Superior de Educação, uma das professoras directoras mencionou uma frase curiosa:
"Há professores que são autênticas nódoas no panorama académico"
De facto, senhora professora, é verdade!
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sexta-feira, 25 de março de 2011
Democracia Moribunda
Agora que estamos sem governoAgora que tudo isto está uma confusão
Agora que estamos dependentes dos outros
Agora que ficamos a água e pão,
Pergunto para quê novas eleições?
A 3ª República apodreceu tristemente após 35 anos de liberdade. Qualquer um que vá para o poleiro não vai melhorar, não vai corrigir, não vai solucionar e não vai resistir.
Que haja uma reviravolta naqueles que nos governam, que haja uma limpeza geral para que continuemos a acreditar na democracia, mesmo sabendo que eles são eleitos por nós e que nos representam.
Mas chega! Estou cansado da ditadura presente na democracia!
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terça-feira, 8 de março de 2011
Actualizar a História Faz Falta!
Actualizar a história faz sempre falta, lembrando que os politicos são o espelho do povo e, no caso português, um povo com demasiados problemas de memória!
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Cais de Pedra do Seixal vai ser reabilitado
A partir do próximo mês de Março, o histórico Cais da Rampa do Seixal vai ser reabilitado. Será efectuado o desassoreamento do rio em seu torno, rivitalizadas estruturas e acréscimo de plataformas flutuantes, entre outros.


domingo, 30 de janeiro de 2011
Cantigas de Amigos

Amigos,
A partir de hoje poderão conhecer quatro grandes nomes da nossa cultura, num só disco!
O vinil acima data de 1971 e recupera a arte trovadoresca das Cantigas de Amigo, onde Amália Rodrigues canta, os poetas Natália Correia e Ary dos Santos declamam e Maluda cria a capa do disco.
Do lado direito deste blogue está disponível todo o conteúdo desta obra de grande qualidade, que une três artes: a música, a poesia e a pintura.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Caldeirada (poluição)
Nos anos 70 do século passado, a Amália cantou um fado cuja preocupação ambiental fazia parte da letra de uma música onde os peixes e crustáceos se reuniam para criticar o Homem pelas suas acções pouco civilizadas.
Pareçe que hoje, na segunda década do século XXI, nada se fez e nada se aprendeu, vendo, constantemente, a ignorância de uns a par com a poluição de outros.
Pareçe que hoje, na segunda década do século XXI, nada se fez e nada se aprendeu, vendo, constantemente, a ignorância de uns a par com a poluição de outros.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
5º Aniversário do meu Blogue
Há precisamente 5 anos, escrevi a primeira mensagem neste blogue, falando então na beleza natural que a Baía do Seixal tem.
Na ocasião em que criei este blogue, a função era exclusivamente a divilgação da história e dos valores do Seixal.
Hoje a informação, história e divulgação cultural da região estão no primeiro plano dos temas do blogue.
Obrigado àqueles que ajudam, criticam, lêem e divulgam o blogue do Mário Barradas.
Na ocasião em que criei este blogue, a função era exclusivamente a divilgação da história e dos valores do Seixal.
Hoje a informação, história e divulgação cultural da região estão no primeiro plano dos temas do blogue.
Obrigado àqueles que ajudam, criticam, lêem e divulgam o blogue do Mário Barradas.
Feliz Ano Novo!
Que o díficil novo ano de 2011 seja um ano de esperança para todos aqueles que foram submergidos pela crise económica que abala o mundo.
Para aqueles que pensam que o mundo acaba em 2012 podem ter uma certeza: o mundo um dia acaba, mas em 2012 só termina para os que morrem!
Para aqueles que acreditam em milagres, deixo-vos a eterna Amália Rodrigues a cantar um fado sobre Lisboa - cidade onde nasci há 25 anos.
Feliz 2011!
Para aqueles que pensam que o mundo acaba em 2012 podem ter uma certeza: o mundo um dia acaba, mas em 2012 só termina para os que morrem!
Para aqueles que acreditam em milagres, deixo-vos a eterna Amália Rodrigues a cantar um fado sobre Lisboa - cidade onde nasci há 25 anos.
Feliz 2011!
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
1º de Dezembro de 1640
Foi há 370 anos que, após uma revolução, o reino de Portugal reconquista a sua independência, retirada sessenta anos antes por Castela.Dom João, duque de Bragança funda a Dinastia tornando-se João IV, rei de Portugal.
Este feriado nacional é celebrado todos os anos em todo o país, tendo maior incidência na capital, onde os festejos decorrem na Praça dos Restauradores.
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domingo, 21 de novembro de 2010
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
A Cristina de Castro Deixará Saudade
Partiu!
Após duas quedas distanciadas por dois meses, a cantora lírica Cristina de Castro sucumbiu a uma paragem cardio-respiratória no Hospital Dr. Egas Moniz, onde se encontrava há três semanas.

Ontem, numa tarde triste, desloquei-me pela última vez até à minha professora de canto e, acima de tudo, amiga, que se encontrava na capela mortuária do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.
Cheguei à porta e estava o Luís Represas a conversar com João Gil e o Paulo de Carvalho, que me indicou onde estava a nossa professora. O calor era insuportável devido à quantidade de gente que se dirigiu, tal como eu, a Belém para lhe prestar uma última homenagem.
Um salva de palmas acompanhou-a à saída da capela para se dirigir até aos Olivais, onde foi cremada.
O quadro - sim, aquele quadro com a montagem das suas fotografias, que estava na sala - acompanhou-a.

Ficará na memória o seu modo italiano de atender o telefone: - "Pronto!" (só a Cristina o dizia). Ficará também algumas histórias e curiosidades que me contou como o facto de eu ter o nome do seu pai.
Será sempre bom lembrar que Cristina de Castro foi uma das melhores sopranos portuguesas, cantou com Maria Callas no Teatro de São Carlos, em Lisboa e ganhou o prémio de melhor cantora estrangeira em Liverpool - Inglaterra.
Até qualquer dia Cristina!
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Viva a República?
No 100º aniversário da implantação do regime republicano em Portugal, vale a pena fazer algumas questões que, por vezes, até parecem esquecidas pelos portugueses:
- Vale a pena festejar a implantação da república, quando noutros anos ninguém se lembra qual a razão do feriado que está marcado no calendário a 5 de Outubro?
- Para quê festejar a república se não se sabe o que aconteceu nesse dia?
- De que serviu a extinção da monarquia e a implantação da república?
- Será que a república trouxe a liberdade, igualdade e fraternidade que anunciou?
- Os portugueses têm noção de que a maior parte destes cem anos de república foram passados numa espécie de anarquia ou em ditadura?
Enfim, acima de tudo que viva a república e que, com o esforço de todos, continuemos em busca da liberdade, igualdade e fraternidade que ainda não achámos!
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sábado, 25 de setembro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Villa Nova
Villa Nova de saudade
Uma madrugada de simpatia
Que pela sua amizade
Enche o coração de alegria
Um caroço de tristeza
Numa coifa fechada ao vento
Empurra um olhar profundo
Ao mundo do teu lamento
Por onde tu passaste?
Por quem quiseste falar?
Foi pela porta do tempo
Que está virada para o mar
E quantas vezes pensaste
Olhando o horizonte baixinho
Os amigos que encontraste
São como uma flor de verde pinho
Villa Nova de saudade
A olhar a foz do Tejo
E traz mais voz à cidade
Desenhada num azulejo
Poema dedicado a Olga Villa Nova, fadista do Seixal
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
A Asfixia
O Seixal morre lentamente, como se fosse um ser vivo ao qual lhe tiramos o oxigénio, vendo-o apagar-se, sem dizer sequer uma palavra. Hoje passeei pelo centro histórico e envolvia-me um silêncio interrompido pelo som das gaivotas e do vento. A meio da Rua Paiva Coelho olhei para trás e vi uma rua vazia, despida de gente, de carros e de cor.
Os comerciantes estavam à porta:
- "Olá Mário, como estás?" dizia-me uma comerciante,
- "Estou melhor "- respondia - "mas vocês não têm ninguém!" - disse. Ela encolheu os ombros com uma cara triste, como se o Seixal fosse o fim do mundo, que o é!
A asfixia que no dia 13 de Setembro envolveu o Seixal, trouxe também desertificação e angústia àqueles que sobrevivem do comércio e daqueles que, como eu, gostam do Seixal.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Verão com Animação!
As festas populares da península de Setúbal deste ano mereceram da minha parte uma atenção especial, pois quem tem boca vai a Roma e, no meu caso, quem tem carro vai à feira!
Resolvi visitar algumas das muitas feiras cuja época começa com o Santo António (12 de Junho) e termina com as Festas da Moita (12 de Setembro) inclusivé.
Comecei pelas Festas Populares de São Pedro do Seixal e do Montijo que acontecem em torno no 29 de Junho. Foram interessantes por razões distíntas: o programa de espectáculos no Seixal e o arraial e largadas no Montijo que encheram o olho e animaram gregos e troianos.
Apenas um apontamento negativo ao arraial do Seixal que, para além de lembrar o Natal, estava demasiadamente pobre e triste em oposição ao do Montijo, que era uma arraial à moda antiga.
Seguiu-se a Barreiro, Aldeia de Paio Pires, Amora e Corroios das que visitei. Nunca vi tanta gente em Corroios como no dia de fecho da festa que tinha como cabeça de cartaz Quim Barreiros.
Com muita pena minha, este ano não visitei as Festas do Barrete Verde e das Salinas em Alcochete, Feira de Santiago em Setúbal, nem as festas da Moita do Ribatejo.
No início do mês de Setembro, mesmo antes da Festa do Avante! visitei as Festas das Vindimas em Palmela, uma das mais bonitas de todas, não só pelo acolhimento que os palmelões nos dão, mas também pela beleza da festa, que ocupava todas as ruas da vila, continha um arraial exemplar e, acima de tudo, tinha gente: os que são da terra e os que visitam.
Terminei na Festa do Avante! que trouxe milhares ao Seixal e que, como sempre, tem um programa cultural exemplar sendo o maior e melhor festival da música portuguesa de todos os géneros.
Visite a península de Setúbal e verá que não se arrepende e ainda se diverte!

Resolvi visitar algumas das muitas feiras cuja época começa com o Santo António (12 de Junho) e termina com as Festas da Moita (12 de Setembro) inclusivé.
Comecei pelas Festas Populares de São Pedro do Seixal e do Montijo que acontecem em torno no 29 de Junho. Foram interessantes por razões distíntas: o programa de espectáculos no Seixal e o arraial e largadas no Montijo que encheram o olho e animaram gregos e troianos.
Apenas um apontamento negativo ao arraial do Seixal que, para além de lembrar o Natal, estava demasiadamente pobre e triste em oposição ao do Montijo, que era uma arraial à moda antiga.
Seguiu-se a Barreiro, Aldeia de Paio Pires, Amora e Corroios das que visitei. Nunca vi tanta gente em Corroios como no dia de fecho da festa que tinha como cabeça de cartaz Quim Barreiros.
Com muita pena minha, este ano não visitei as Festas do Barrete Verde e das Salinas em Alcochete, Feira de Santiago em Setúbal, nem as festas da Moita do Ribatejo.
No início do mês de Setembro, mesmo antes da Festa do Avante! visitei as Festas das Vindimas em Palmela, uma das mais bonitas de todas, não só pelo acolhimento que os palmelões nos dão, mas também pela beleza da festa, que ocupava todas as ruas da vila, continha um arraial exemplar e, acima de tudo, tinha gente: os que são da terra e os que visitam.
Terminei na Festa do Avante! que trouxe milhares ao Seixal e que, como sempre, tem um programa cultural exemplar sendo o maior e melhor festival da música portuguesa de todos os géneros.
Visite a península de Setúbal e verá que não se arrepende e ainda se diverte!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010
E Depois do Adeus
Eis uma canção, das mais belas que a Eurovisão viu concorrer, cheia de amor nas palavras e de formosura na música que acompanha o poema.
Acima de tudo, Paulo de Carvalho cantou uma canção de amor, que brilhou e que lhe deu notoriedade no último Festival da Canção da época do Estado Novo.
Um mês depois rebenta uma revolução em Lisboa que viria trazer a democracia ao cinzento país: o 25 de Abril de 1974, cuja canção serviu de senha para que as tropas iniciassem o caminho para a liberdade.
A música é do saudoso maestro José Calvário e a letra de José Niza.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Aos Meus Amigos
Nem um poema nem um verso nem um canto
tudo raso de ausência tudo liso de espanto
e nem Camões, Virgílio, Shelley, Dante
o meu amigo está longe e a distância é bastante.

tudo raso de ausência tudo liso de espanto
e nem Camões, Virgílio, Shelley, Dante
o meu amigo está longe e a distância é bastante.
Nem um som nem um grito nem um ai
tudo calado todos sem mãe nem pai
Ah não Camões, Virgílio, Shelley, Dante!
o meu amigo está longe e a tristeza é bastante.
tudo calado todos sem mãe nem pai
Ah não Camões, Virgílio, Shelley, Dante!
o meu amigo está longe e a tristeza é bastante.
Nada a não ser este silêncio tenso
que faz do amor sozinho o amor imenso.
Calai Camões, Virgílio, Shelley, Dante:
o meu amigo está longe e a saudade é bastante!
que faz do amor sozinho o amor imenso.
Calai Camões, Virgílio, Shelley, Dante:
o meu amigo está longe e a saudade é bastante!

Poema de José Carlos Ary dos Santos
Triptico de Joana Benavente Perdigão:
André, Catarina, Ricardo, Joana e Mário
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